Textos do
Jornal Fraternizar

Edição nº 180 de Janeiro/Março 2011

 EDITORIAL 1

Esta edição n.º 180 é a última Edição do Jornal Fraternizar, em papel. A esmagadora maioria das pessoas que o recebem em casa não deu qualquer sinal em sentido contrário. Já das poucas pessoas que se deram a esse trabalho, temos a certeza da sua compreen­são. E lá nos encontraremos, na edição online, por toda a 2.ª quinzena de Janeiro 2011. Quem ainda não navega na net, meta-se a navegar. Ou fica fora do seu Tempo. E fora do Planeta. Cortemos noutras despesas, tvs, por exemplo, em prol da net e do youtube. Quem de Vocês já deu, por exemplo, com as Conversas Jesus Século XXI, no youtube?!

Alegremo-nos, por termos tido JF, durante 22 anos conse­cutivos. E Celebremos a Edição 180. A vida prosse­gue. JF, online, será mais eficiente. Pode "fazer-se" várias vezes no mesmo dia.


 

DESTAQUE

O LIVRO DA SABEDORIA

Porque são de demência global os tempos que vivemos

 

Desta vez, o DESTAQUE vai para O Livro da Sabedoria, o mais recente trabalho do Padre Mário. Na sua condição de Presbítero da Igreja do Porto, cabe-lhe, como de resto, a qualquer outro Presbítero da Igreja, casado ou não-casado, Anunciar, a tempo e fora de tempo, o Projecto Político Maiêutico de Deus Criador, Abba-Mãe de todos os Povos por igual. No prosseguimento do mesmo Anúncio feito por Jesus, o filho de Maria, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, na Galileia e, finalmente, em Jerusalém, onde, por via disso, é Crucificado como o Maldito dos malditos. Cabe-lhe Anunciar. E, para o poder fazer com coerência e autoridade (= liberdade), nunca com Poder Canónico, cabe-lhe, igualmente, Praticar esse mesmo Projecto Político Maiêutico que tem de Anunciar. Pois bem. O Livro da Sabedoria é, por agora, o seu ponto de chegada na materialização do seu Ministério Presbiteral. Um ministério de altíssimo risco, diga-se. Como historicamente já o foi para Jesus. E é, ainda Hoje, também para Jesus Século XXI. Tanto assim, que Jesus continua a não ter lugar, nem nas Universidades laicas, nem nas confessionais. Tão pouco, Jesus tem lugar nas Igrejas cristãs, católica romana, incluída. A Jesus, o do Século I e do Século XXI, as Igrejas cristãs preferem o Cristo, do Judeo-Cristianismo, nos antípodas de Jesus. Leiam o Livro da Sabedoria e descobrirão o que sempre nos tem sido escondido, nestes 20 Séculos de Cristianismo /Cristandade!...

 

O Livro da Sabedoria é o segundo de uma trilogia. Surge no prosseguimento de Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação, Edição AREIAS VIVAS, Outubro 2009. O último livro desta trilogia, a editar por finais de Março /princípios de Abril de 2011, tem por título Salmos Versão Século XXI. LIVRO 2. Reescreve os Salmos da Bíblia Hebraica de 51 a 100. Um livro que, por sua vez, vem na sequência de Salmos Versão Século XXI, LIVRO 1, Edição Campo das Letras, Março 2005, que reescreve os Salmos da Bíblia Hebraica de 1 a 50. Com esta trilogia, ficam delineadas e apresentadas as grandes linhas da Revolução Antropológica-Teológica de Jesus, que mais não é do que a realização na História do Projecto Político Maiêutico de Deus Criador, Abba-Mãe de todos os Povos, e que já vem desde antes da Criação do Mundo. Um Projecto nunca Realizado, na História, a não ser no Ser Humano, Jesus, o camponês-carpinteiro, o filho de Maria, nomeadamente, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, no seu pequeno país, a Palestina, então militarmente ocupado pelas tropas do Império Romano.

Desde o princípio da Humanidade (seremos bem mais precisos, se passarmos a falar de Animais Racionais, em lugar de Humanidade, porque é ainda como Animais Racionais que nos comportamos, não como seres humanos), o Projecto Político Maiêutico de Deus Criador nunca chegou a ser realizado na História. E a única vez, até Hoje, que o Ser Humano pleno e integral Aconteceu entre nós e connosco, nós só descansamos, quando o Assassinamos na Cruz do Império, para que, ao abrigo da Bíblia Hebraica, o nome do Judeu Jesus nunca mais fosse pronunciado, muito menos, fossem prosseguidas, na História, as suas Práticas Económicas e Políticas Maiêuticas e os seus Duelos Teológicos Desarmados.

O Livro da Sabedoria é de Jesus, o Maldito, que nos fala e testemunha. De Jesus, a Sabedoria; de Jesus, o filho de Maria; de Jesus, o Ser Humano pleno e integral. Atreve-se a dizer que fora de Jesus, só há Animais Racionais, não há Seres Humanos. E que, ou os Animais Racionais PASSAM a ser, de forma actualizada, outros Jesus, ou manter-se-ão Animais Racionais, sem dúvida, os maiores depredadores do Planeta e os mais Mentirosos e os mais Assassinos dos Animais. Porque não há animal mais perigoso do que o Animal dotado de Racionalidade. Quando a Racionalidade é posta ao serviço aos desejos e das ambições do Animal, este torna-se Perverso e só existe na História, para Roubar, Matar e Destruir.

Só cegos que não queiram ver, é que não reconhecem que assim tem sido a História até ao presente. Uma História de Animais Racionais, cujos desejos e ambições não têm limites. E, hoje, Século XXI, são servidos por meios tecnológicos e outros, cada vez mais sofisticados, com poder de destruição do próprio Planeta Terra e de perturbar o próprio Universo, ainda em expansão, desde há 13 mil e 700 milhões de anos.

"São de demência global - reza o subtítulo do Livro - os Tempos que vivemos." Precisam de ser Tempos de Sapiência, de Sabedoria. Ora, a Sabedoria tem um nome: Jesus, o filho de Maria. Tem um Projecto: o Projecto Político Maiêutico de Deus Criador, Abba-Mãe de todos os Povos, historicamente, concretizado em Jesus, o filho de Maria. Em Jesus, o filho de Maria, ficamos a saber como havemos de ser, se quisermos PASSAR de animais racionais a Seres Humanos. E, até Deus Criador, que nunca ninguém viu /conheceu, só em Jesus, o filho de Maria, O podemos ver /conhecer. Tudo o que dissermos sobre os seres humanos, fora de Jesus, é Ideologia, por isso, Mentira. E tudo o que dissermos de Deus Criador, que nunca ninguém viu, fora de Jesus, é Idolatria, por isso, Mentira.

As Religiões são todas Idolatria. O Poder Político Armado e o Poder Financeiro, filhos das Religiões e abençoados por elas, são os antípodas de Jesus, os antípodas dos Seres Humanos, os antípodas de Deus Criador Abba-Mãe de todos os Povos. Nem as Religiões e os seus Sacerdotes ou Pastores, nem o Poder Político Armado e os seus agentes históricos, nem o Poder Financeiro e os seus agentes históricos, suportam Jesus. Tão pouco, o Projecto Político Maiêutico Vivo que ele é entre nós e connosco. E que nos anuncia, a partir das suas Práticas Económicas e Políticas Maiêuticas e dos seus Duelos Teológicos Desarmados.

Mas O Livro da Sabedoria aí está. Aconteceu e está aí, à disposição de quem o quiser Acolher. Para o Acolhermos, temos de ser como meninas, meninos. Temos de despojarmo-nos de toda a Ideologia e de toda a Idolatria. De toda a Mentira que, desde o princípio dos Animais Racionais, anda a fazer-se passar por Verdade.

Quem tiver olhos para ler, leia. Ouvidos, para ouvir, oiça. Pés e Mãos para Agir, Aja.


 

Recensão crítica de VP, Semanário da Diocese do Porto

“Uma palavra fecundamente maiêutica”

 

Texto 1

Um livro do P. Mário, presbítero da Igreja do Porto. Muitos de nós conhecemos e até partilhámos, solidariamente, momentos difíceis da sua actividade presbiteral. E temos seguido, com perplexidade, mas sempre com amizade, o seu percurso pessoal nas iniciativas e nas tarefas que faz chegar ao nosso conhecimento. Generoso, sem dúvida; polémico, com certeza; perturbador, por vezes. É assim o P. Mário. O livro que aqui apresentamos, a partir de um exemplar que endereçou, com dedicatória pessoal e afectuosa ao Director de VP, documenta bem o estilo, por vezes excessivo, mas repassado de um amor inquestionável à Igreja que todos somos. Todos. O Espírito sopra onde quer, mas sempre para edificação do Reino de Deus, semeando esperança na colheita que não nos cabe fazer. As Escrituras são claras: se não há que “pôr remendo novo em pano velho ou verter vinho novo em odres velhos”, também não há que “apagar a mecha que ainda fumega”.

Aqui fica transcrição do texto de apresentação que ocupa uma das badanas deste livro.

“Para estes novíssimos Tempos que são os nossos, de prolongada e generalizada Escolaridade Obrigatória, em que abundam …tantos Mestres e tantos Doutores, tantos Economistas e tantos Engenheiros, tantos Deputados e tantos Ministros, Tantas Leis e tantos Polícias, tantos Filósofos e tantos Psicólogos, tantos Biblistas e tantos Teólogos, tantos Cientistas e tantos Pastores da Igreja, tantos Gurus e tantos Astrólogos, tantos Ateus e tantos Agnósticos, tantos Crentes e tantas Fés, tantos Craques de Futebol e tantos Estádios de Futebol, tantos Milhões Acumulados / Concentrados e tantos Povos Crucificados, faz falta, como o pão para a boca, uma Palavra fecundamente Maiêutica como esta. O Livro da Sabedoria, que a Edium Editores aqui dá à luz, é o mais recente trabalho do conhecido e saudavelmente não-alinhado Padre Mário de Oliveira... Esta sua Obra Maior, de alcance universal, chega na Hora H. Ponham sabiamente de lado Preconceitos e Boatos... e mastiguem cada um dos muitos versículos com que se tecem os 50 capítulos deste Livro, todo ele escrito de raiz para esta Hora…”. Que cada um leia e faça o seu juízo. (ATC)

 

Texto 2

“Conhecer com o coração”

Qualquer escrito do P. Mário de Oliveira é um escrito perturbante. Porque resulta de observações quer bíblicas quer sociais marcadas por uma lucidez sibilina, mas por outro lado imbuídas de lugares comuns nascidos de duas fontes: a influência de escritos críticos fruto do positivismo dos dois últimos séculos (as sugestões de Renan afloram

a cada passo), bebidos nas análises crítico-sociais dos anos sessenta (por exemplo a teorização da sobre a família, ou famílias, como garantia do “Império Financeiro Global” (p. 135), ou a “cúpulas do Poder Financeiro”, que constantemente se repetem); e por outro lado em aspectos certamente mais elaborados, da chamada “teologia da libertação”, como por exemplo “As cúpulas das Igrejas/ Religiões sabem que só com a idolatria é que elas medram e têm sucesso” (p 171).

Podemos discernir nestes escritos um sentido crítico mais apurado que fundamentado. As suas análises e reflexões assentam em raízes plausíveis, mas nem sempre percorrem os caminhos escorreitos da lógica, e deixam-se contaminar facilmente pela ganga anti-teológica de um pensamento crítico problematizador, com algumas boas razões, das práticas tradicionais da Igreja. Digo Igreja, não apenas hierarquia ou posições teológicas “doutorais”, nascidas das posturas “oficiais”, do “Poder religioso /Eclesiástico /Hierárquico”, nas suas palavras. Há mais Igreja para além da Hierarquia (necessária e original), e o mal é que se confundam as coisas.

 

Sabedoria.

O autor distingue constantemente ao longo do longo escrito, Sabedoria e Saber (ambos com maiúscula), salientando que a Sabedoria é feminina e o Saber masculino (p. 10), repondo assim uma questão de igualdade de género, de que agora é moda falar-se. Nas escolas só há Saber, não há Sabedoria, afirma. Concedemos alguma razão. Também já escrevemos similares conceitos. Não somos, porém, tão radicais. A radicalidade raramente tem razão. O autor considera que a Sabedoria “fez-se Menino…Fez-se o Alfa e o Ómega da Humanidade… cresceu em Sabedoria” (p. 14). Propostas e entendimentos bíblicos, cujo desenvolvimento porém nos coloca muitos engulhos, pelas interpretações excessivamente pessoais dos textos. Propor “O Livro da Sabedoria” bem pode ser um projecto desejável. Sabe a ambicioso. Todos precisamos da Sabedoria. Porém, qualquer Sabedoria, e sobretudo a de Cristo, vive da Humildade e não da condenação. Vive do “conhecer com o coração” (pág. 22). Será que o livro nos leva a conhecer com o coração? São 50 capítulos, 382 páginas de problemas. Não sei quantas de soluções. (CF)

 

Pe. Mário de Oliveira, O Livro da Sabedoria / Porque são de Demência Global, os Tempos que Vivemos, edium editores,

Outubro, 2010.

 

Email-Comentário do P. Mário à Recensão de VP

 

Voz Portucalense

Meus caros Amigos

António Teixeira Coelho (ATC) / M. Correia Fernandes (CF)

 

Chegou a VP, de 15 de Dezembro 2010. Com O LIVRO DA SABEDORIA. E com a Leitura que ambos fazeis dele. Confesso que me surpreendi. Pelo que realçais do Livro. E pelo que silenciais.

Como seria a Leitura feita pela própria SABEDORIA DESARMADA / MAIÊUTICA / CRUCIFICADA?

Provavelmente, destacaria o que silenciais e deixava para lá ou silenciava o que salientais.

Sei que escreveis no Semanário oficioso da Diocese do Porto. Escrevi “Diocese do Porto”. Não escrevi IGREJA DO PORTO.

Para muitas pessoas, as duas expressões são sinónimos. Para a SABEDORIA, não. São mais antónimos do que sinónimos.

“Diocese do Porto” é o território ocupado pelo Poder Sacerdotal Eclesiástico, coisa, de todo absurda, para a SABEDORIA. "Igreja do Porto” é permanente PÁSCOA da Ruah Maiêutica de Deus Criador Abba-Mãe de todos os Povos, que nunca ninguém vê e que se nos dá definitivamente a conhecer em Jesus, o filho de Maria. O da martirial e duélica Missão ao serviço do Reino /Reinado de Deus, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, na Palestina, então militarmente ocupada pelo Império Romano. E o do Século XXI, em Missão ainda mais martirial e duélica, ou este não fosse o Tempo do Senhor Dinheiro, o único Dono do Planeta, com todos os Povos a seus pés! Como tal, Igreja do Porto, é sempre MISSÃO DE ALTÍSSIMO RISCO, vivida sempre em Deserto e na Trincheira. A fazer Crescer maieuticamente as populações de dentro para fora, para que, depressa, desapareçam da vida delas os SACERDOTES, os HIERARCAS, os INTERMEDIÁRIOS, os PADRINHOS das Máfias, os BENFEITORES de toda a espécie. Porque CRER DEUS CRIADOR sempre rima com LIBERDADE, MAIORIDADE, AUTONOMIA. Sempre rima com SER-VIVER-ACTUAR-PENSAR-FALAR na História, como se Deus não existisse. Porque Deus, ou é mais íntimo a nós do que nós próprios e nos potencia de dentro para fora para sermos progressivamente HUMANOS, ou é indubitavelmente um ÍDOLO, como é, de resto, o Deus de todas as Religiões, de todas as Fés religiosas. Religam-nos, mas apenas na Alienação, no Medo, na Lei, no Moralismo, na Submissão aos Agentes históricos dos [três] Poderes. Ao mesmo tempo que fundamentam e legitimam a existência e a actuação dos Poderes, da Santíssima Trindade dos Poderes – o Sacerdotal Eclesiástico, o Político Armado e o Económico-Financeiro –, como entidades naturais, ou, mesmo, queridas pelo próprio Deus, quando, na verdade, todos eles são o que há de mais intrinsecamente PERVERSO sobre a Terra. A começar, obviamente, pelo Poder Sacerdotal Eclesiástico, sem dúvida, o mais antigo dos três e o “pai” fundador e legitimador dos outros dois. A IDOLATRIA no seu pior!

Volto a dizer: Sei que escreveis no Semanário oficioso da Diocese. Por isso, Vos agradeço a recensão crítica que fazeis em parceria. Uma postura nada habitual no Semanário. Duas Leituras em parceria sobre o mesmo livro, no caso, O LIVRO DA SABEDORIA. A Diocese do Porto vai sofrer, certamente, um “abalo sísmico”. Um “tsunami”. Ou, então, [já] está bem pior do que eu penso e vejo. Estará como o Lázaro da Narrativa Teológica do Evangelho de João (cf. Capítulo 11), morta e bem morta, que é o quer dizer a expressão evangélica “quatro dias”. Atada de pés e mãos. E com uma venda (a Ideologia /Idolatria) nos Olhos da Mente. Ocupada com Ritos-sem-sentido, fora de tempo, uma espécie de Idade Média, Século XXI adentro. Missas e mais missas. Pelas “almas”. E todas, ou quase todas, a pagar por algum familiar dessas ”almas”! Como num supermercado. E em Exéquias solenes, sobretudo, se os cadáveres a sepultar são de Bispos titulares de dioceses, eméritos, ou ainda não. E mais solenes ainda, se os cadáveres são de Cardeais. Ou de papa-chefe-de-estado-do-Vaticano, pelos vistos, simultaneamente, o Bispo de Roma (não, obviamente, da Igreja de Roma).

 

Bem-vindo, Abalo Sísmico! Bem-vindo, Tsunami! Já foi assim no início da década de setenta, quando eu era o pároco – ou o anti-pároco?! – de Macieira da Lixa e, nessa qualidade, editava um Boletim policopiado, chamado ENCONTRO. Calhou, numa das edições, escrever um Texto a ridicularizar a VISITA PASCAL OU COMPASSO. O então Chefe de Redacção, Padre Rui Osório, certamente, sob a sábia e lúcida orientação do Director, Padre ÁLVARO MADUREIRA (o que lhe fizeram, senhores, o que lhe fizeram e lhe fazem, ainda hoje!...) “pegou” no Texto e transcreveu-o na íntegra nas páginas de VP, quando no Semanário se respirava ainda a frescura dos Começos. As reacções contra e a favor (mais contra do que a favor) foram mais do que muitas, semanas e semanas, a fio. Seja, Hoje, assim também com a Vossa Recensão crítica. Porque, também para isso, O LIVRO DA SABEDORIA Aconteceu, sem que eu próprio, oficialmente, seu autor (na verdade, mais a sua PARTEIRA), saiba bem como.

Escrever o que ambos escrevestes sobre O LIVRO DA SABEDORIA, do Presbítero mais MALDITO da Igreja do Porto, é uma prova de CORAGEM, que enalteço. Só o mostrar a Capa do Livro e dizer que ele existe, já seria grande prova de CORAGEM. Agradeço-Vos do coração. E sabei que sempre me encontrareis na Trincheira, longe dos Templos e dos Altares da Idolatria Religiosa. Neste meu viver Presbiteral em Deserto, o único que tem condições de FECUNDIDADE. Porque, se o Grão de Trigo não morre sob a Terra, pelo contrário, ocupa regularmente o trono e o altar, e faz carreira dentro da pirâmide do Poder, não dá fruto, mesmo que congregue multidões e multidões, com bandeirinhas na mão, a acenar à passagem do Chefe-Mor do Poder Eclesiástico, enclausurado no seu inestético papamóvel, ou, então, sob o pálio, nas ruas da cidade, no decurso de uma qualquer romaria religiosa chamada “corpo-de-deus”.

Dou-Vos o meu abraço de paz. Como um menino. E junto-lhe toda a minha Alegria-sem-ocaso! Mário


 

Palavras ditas na Sessão de Apresentação na UNICEPE

Nestes tempos do Mercado,

não há lugar para o Ser Humano

 

Coube a António M. Oliveira, Mestre em Ciências de Comunicação Social, apresentar O Livro da Sabedoria, na UNICEPE, Porto.

Fê-lo, a convite do Editor, Jorge Castelo Branco. Dias antes da Sessão, o Editor teve o cuidado de nos juntar os três à Mesa

de um Restaurante de refeições económicas. Foi quando, Autor e Apresentador, se conheceram olhos-nos-olhos. Eis.

 

Permitam que vos fale de mim, de mim, pecador por orgulho, e vos peça perdão por isso!

E permitam também que vos explique porquê.

Quando o Jorge Castelo Branco, há um mês atrás, me convidou para apresentar o livro que têm à vossa frente, aceitei sem hesitar.

Bem me avisou, o Jorge, que tinha pela frente uma empreitada de quase 400 páginas mas eu, orgulhoso, nem disse que não!

Só pedi para conhecer pessoalmente o Pe. Mário, o padre da Lixa, de quem só sabia de alguns escritos e também de ouvido, como a maioria das pessoas,

Quando lá cheguei, a Macieira da Lixa, e lhe estendi a mão para um cumprimento respeitoso e formal, o Pe. Mário esticou os dois braços e respondeu-me com um abraço.

Nem sequer ainda tinha pegado no livro, mas aquele abraço ainda mais me atiçou o orgulho.

 

E hoje confesso, sinceramente, que devia ter tido a Sabedoria que esta obra explica e defende para, humildemente, reconhecer a quase impossibilidade de fazer uma apresentação a condizer com a dimensão desta escrita.

Cinquenta capítulos a explicar, maieuticamente, que é possível trazer a verdade à luz do dia, se descobrirmos que o Essencial só se deixa ver com Afecto!

Cinquenta capítulos, a percorrer a influência do Poder na vida dum Ser Humano.

 

Logo ao princípio fiquei, ficamos a saber, que nos roubaram a Palavra e não fazemos mais nada do que articular sons, nestes tempos de mercado em que não há lugar para o Ser Humano porque só há lugar e tempo para a Mercadoria!

Tempos em que o mercado estrutura o Saber, mas não a Sabedoria, porque esta não se compra nem se vende!

 

E, humildemente, não devia ter passado deste primeiro capítulo, porque este “Livro da Sabedoria” não é para ler, é para ir meditando devagarinho, aceitando o desafio que cada linha nos propõe, descobrindo-nos Humanos, sabendo da meditação, o silêncio, a grande palavra da Sabedoria.

Porque estes tempos, diz o Pe Mário, são os da incomunicação global, do ruído, do barulho e da intoxicação verbal, tudo através dos meios da Comunicação social, poderosíssimos meios de propaganda e difusão do mentiroso e assassino evangelho do Império Financeiro Global que os pariu a todos.

Tempos em que a Sabedoria, perseguida, caluniada, ostracizada e crucificada, é o Grão de Trigo que morre sob a Terra, mas que dá fruto e é Luz, e é Vida, e é Ternura, e é Lucidez Desarmada.

 

E em pleno século XXI é ainda no Medo gerador de Submissão e de Menoridade, que as populações hoje vivem e não na Sabedoria da Liberdade e da Maioridade, porque os três poderes, o Patriarcal/Político, o Económico/Financeiro e o Sacerdotal se uniram num só, o Poder Financeiro Global.

E, por isso, afirma o Pe Mário, as dioceses, as paróquias, as catequeses, os cultos, as liturgias, as universidades, os múltiplos meios de comunicação das múl­tiplas igrejas e congregações, toda a actividade editorial, os santuários, as basílicas, as peregrinações, as viagens do Papa, tudo está pensado, montado e em acção, para impedir que as pessoas cheguem a ser sábias, e que os povos cheguem a ser sábios.

 

Só há uma solução, e é ir por Jesus e pelo seu Espírito, como ele afirma que vai, e todos os dias!

E acrescenta, convicto, que todo o que também quiser ir, ateu, agnóstico ou religioso que se diga, a primeira coisa que tem a fazer, é mudar de Deus e, depois, ou ao mesmo tempo, mudar de Ser (Nascer de Novo), fazer-se pobre por opção e por toda a vida! A Sabe­doria é por aqui que navega!

Só assim seremos Seres Humanos cada vez mais plena e integralmente Humanos. Da mesma estatura de Jesus, o camponês/artesão de Nazaré, o filho de Maria!

E sei do que falo, diz o Pe. Mário, porque esta é a via que procuro frequentar e percorrer, desde que nasci da Ti Maria do Grilo, jornaleira pobre a vida inteira, e do Ti Da­vid, operário pobre a vida inteira, ambos felizes, cheios de Sabedoria, sem quaisquer ambições em ordem ao Saber e ao Ter, ao Poder e ao Lucro!

 

Já roubei tempo de mais, ao tempo do Pe Mário Oliveira, ao tentar, agora pobremente, dizer de uma obra que, por orgulho encavalitei, e que, só agora também, mas humildemente, vou ter muito tempo para ler e aprender!


 

EDITORIAL 2

 

Pelos Povos, contra o Mercado!

 

Tudo está Consumado! Os Mercados Financeiros (dizem-se no plural, mas na verdade, são apenas um-só, O MERCADO, com artigo definido e tudo!) são, neste nosso Século XXI, o único Dono e o único Senhor do Mundo. Do Planeta Terra. Do Universo. Até o Chão que pisamos, só o pisamos, porque pagamos antecipadamente o aluguer ao Mercado. O mesmo sucede com o Ar que respiramos, por sinal, cada vez mais Envenenado. E também com o Pão que comemos, cada vez mais Porcaria. Só o comemos, porque o pagamos. E ao preço que o Mercado fixa. É pegar, ou largar. Ou pagas e comes, ou não pagas e não comes. Morres. À fome. E de fome. Mesmo o Pão que as IPSSs e as Madres Teresas de Calcutá, eles e elas, e os Bancos Alimentares Contra a Fome distribuem pelos Pobres é um Pão pago e bem pago ao Mercado. (Mas que Humilhação, Comer o Pão que as IPPS, as Madres Teresas de Calcultá e os Bancos Alimentares Contra a Fome distribuem! Humilhação, para quem recebe esse Pão, mas também para quem se presta a essa "Acção-de-Bem-Fazer", em lugar de se dedicar, por inteiro e com risco da própria vida, à Acção-de-Fazer-o-Bem! Percebemos, ao menos, a substantiva diferença entre Acção-de-Bem-Fazer e Acção-de-Fazer-o-Bem? Não?! Cegos que somos! Ingénuos que somos! Infantis que somos!). Saibam que o Mercado nunca dá nada ponto-se-nó. Nunca distribui. Nunca Partilha. O Mercado, de sua natureza, é Mentiroso e Assassino. Sempre Mente, sobretudo, quando mais parece que está a falar Verdade. Sempre Mata, sobretudo, quando mais parece que está a fazer viver algumas das suas inúmeras vítimas. O Mercado é intrinsecamente Perverso. É a Mentira-e-o-Assassínio Institucional. Dentro do Mercado, só há Mercadorias. As caras e as baratas. As de Luxo e as de Lixo. Mercadorias-com-poder-de-compra e Mercadorias-sem-poder-de-compra. É às Mercadorias-sem-poder-de-compra que as Mercadorias-com-poder-de-compra distribuem os restos das mercadorias que compraram. Melhor, fazem exércitos de "Voluntárias" suas, "Voluntários" seus, distribuir, tudo mercadorias baratas, reles, arroz de terceira, massas, óleos, iougurtes no limite do prazo de validade, restos de comida dos restaurantes, roupas usadas, brinquedos-sem-alma-e-sem-afectos. Porque, para elas próprias, compram caviar, iates, viagens de sonho, acompanhantes-prostitutas em primeira mão, mansões de muitos milhões de euros, carros de alta cilindrada, acções na Bolsa, Bancos e empresas, engordados pelos Estados e depois adquiridos por elas por tuta-e-meia.

 

Tudo está Consumado! O Mercado é Hoje o único Dono e o único Senhor do Mundo, do Planeta Terra, do Universo. Fora do Mercado não há salvação, repetem, à uma, os dirigentes das Igrejas-Religiões, dos Partidos Políticos, da direita à esquerda, dos Executivos das nações, a começar pelo Executivo-Mor, o Papa-chefe-de-Estado-do-Vaticano e a sua Sinistra Cúria Romana. Todos, à uma, parecem dissentir do Mercado. Dizem cobras e lagartos contra o Mercado. Mas é tudo-faz-de-conta, só para os Povos Empobrecidos e Crucificados verem-e-ouvirem. Porque, quando acaba o Comício e as múltiplas Campanhas eleitorais, ou terminam as sessões em todos os Parlamentos das nações do Mundo, vão todos a correr sentar-se à mesmíssima Mesa dos Privilégios que o Mercado lhes garante, a troco da sua canina fidelidade.

Já viram o que seria do Mercado, sem aqueles discursos mais ou menos inflamados, mais ou menos moderados, dos dirigentes das Igrejas-Religiões e dos dirigentes dos Partidos Políticos de Esquerda, a mais radical, incluída? Os Povos Empobrecidos e Crucificados podiam, finalmente, perceber que só o são, porque o Mercado os fabrica, e num ritmo, hoje, cada vez mais acelerado. E quem os seguraria? Assim, os Povos Empobrecidos e Crucificados ouvem os discursos mais ou menos inflamados, mais ou menos moderados da malta de Esquerda, ateia, agnóstica e anarca e os discursos de "compaixão" em que são peritos os dirigentes das Igrejas-Religiões, e permanecem, por toda a vida, resignados, conformados. E, até, dizem, uma e outra vez, a vida toda, "Tem-que-ser!", "Tem-que-ser!"

 

Porém, quando a situação social, apesar desses discursos, se agrava e se torna cada vez mais planetária, surge, então, o real perigo de os Povos Empobrecidos e Crucificados abrirem os olhos da Mente, saírem da Cruz, e invadirem em massa os supermercados do Mercado e os palácios dos Governos do Mercado, os palácios dos Parlamentos do Mercado, as sedes dos Partidos Políticos do Mercado, as ricas basílicas das Igrejas-Religiões do Mercado. É, por estas alturas, que, antes de tal coisa suceder, entram em "Acção-de-Bem-Fazer", os exércitos de "Voluntárias", "Voluntários", crianças incluídas (mas às crianças, Senhores, porque as submeteis a tanta Humilhação?!), com a recolha e a distribuição de Alimentos e de roupas, e com Sopas-dos-Pobres, nas escolas e por aí em qualquer canto e esquina. Uma Acção abertamente contra a Acção-de-Fazer-o-Bem, por parte de algumas, poucas, alguns, poucos, tidos por esses exércitos de "Voluntárias", "Voluntários", como gente dissidente e sem-coração!!! São do Mercado e basta! Porque só o Mercado é que fala essa língua de Mentira e de Desprezo pelos que ele não consegue Submeter ao seu Poder Financeiro! E, é claro, os Povos Empobrecidos e Crucificados, com esse falso "aconchego", com esse "ópio" travestido de Caridadezinha, ficam quietos no seu gheto, na sua Cruz, no seu Chão-sem-abrigo, sob os beirais dos Palácios e das Igrejas cheias de Luxo, com zeladoras, zeladores ao seu serviço e ao serviço dos altares dos seus santos de caco ou de madeira, de prata ou de outro. Perante isto, o Mercado que tudo planeia, mostra-se, obviamente, satisfeito com aquela Acção-de-Bem-Fazer e para o ano, ou daqui a um-dois meses, promove outra Acção-de-Bem-Fazer. E depois outra. E outra e, assim, sucessivamente. E não é que, no final de cada Acção destas que nos Envergonha e Humilha a todas, todos, o Mercado ainda acaba por receber os agradecimentos dos Povos Empobrecidos e Crucificados?! Não foi o que pudemos ver, uns dias antes do Solstício do Inverno 2010,  nas tvs-de-notícias e nos telejornais do país, o próprio presidente-da-república-candidato-a-presidente-da-república, Cavaco Silva (mas que nome mais seco, mais estéril, mais incapaz de produzir frutos, cavaco ressequido e ainda por cima, silva, com todos aqueles picos e esgares, incapaz de falar correctamente a língua de Camões), abençoar o casamento de um "mendigo" da Rua, o rei, por uns minutos, da Infâmia e da Humilhação?! Aquele novo Casal não se mostrou "honrado" e agradecido, quando deveria ter fugido a sete pés daquela Humilhação e daquela Vergonha, em directo das televisões?!

 

Tudo está Consumado! Por isso, 2011 tem de ser o ano, não de todas as eleições, mas o ano de todas as Lutas. De todos os Combates. De todos os Duelos Ideológicos /Teológicos Desarmados e Maiêuticos. Pelos Povos Empobrecidos e Crucificados da Terra, e pelo próprio Planeta Terra, a toda a hora, violentamente Agredido e Esventrado. E contra o Mercado, nos múltiplos Mercados com que ele nos devora a todos. "NÃO TE SERVIREI!", tem de ser a grande Palavra-de-Ordem, por parte de todos os intelectuais e por parte dos próprios Povos. Até o Cristianismo católico romano e protestante tem de Implodir. Porque é ele o "Pai" do Mercado. Tem de Implodir, para que, em seu lugar, os Povos conheçam, finalmente, Jesus e o seu Projecto Político Maiêutico. O mesmo de Deus Criador, Abba-Mãe de todos os Povos, Concebido desde antes da Criação do Mundo. Por mim, estarei, obviamente, na primeira linha deste Combate-Duelo Teológico Desarmado. Nesta Acção-Política-Maiêutica-de-Fazer-o-Bem, e não na Acção-Política-Anestesiadora-de-Bem-Fazer. Demo-nos as mãos! É Hora!

Vosso irmão e companheiro,

Mário, Presbítero da Igreja do Porto

 


 

ESPAÇO ABERTO

 

A Crise Económica

e outras coisas também políticas

Por Manuel Sérgio, Professor do Instituto Piaget

 

Quando a geração coimbrã, que tinha fundado a Sociedade do Raio, a Rolinada; que tinha concebido e procla­mado a Questão do Bom Senso – quando esta geração coimbrã viu nas suas mãos o “canudo” final, deixou Co­im­bra e uma parte dela veio para Lis­boa. A amizade que os unia, na Lusa Atenas, aproximou-os de novo na capi­tal e criaram, juntos e em uníssono, o Cenáculo, onde um grupo de amigos se reunia, para sérias discussões sobre temas candentes. Era em casa de Jay­me Batalha Reis, o Cenáculo, numa vi­ela do Bairro Alto e depois numa sobre­loja de S. Pedro de Alcântara, fronteiri­ça ao jardim. Destas animadas reuniões resultou a ideia da realização de meia-dúzia de conferências, no Casino Lis­bo­nen­se. Corria o ano de 1871 e, para pri­meiro conferencista, foi eleito Antero de Quental. A sua conferência ocupou-se das causas da decadência peninsu­lar – que eram, segundo ele, o catolicis­mo do Concílio de Trento, o absolutis­mo régio e a decadência económica de­corrente das conquistas de além-mar. As palavras de “Santo Antero” resumi­am-se em poucas palavras: a crise eco­nómica do século XIX  tinha evidentes causas religiosas e políticas. De facto, pobre é quem faz a riqueza de outro, sem dela participar. Portanto, a pobre­za, verdadeiramente, é discriminação, é injustiça. Com isto, não se diz que não se encontrem causas económicas na pobreza. O que se pretende salien­tar é que, numa sociedade de classes, tudo se estrutura em função da classe dominante. Em Portugal, por exemplo, sabe-se quem são os rostos da classe dominante (um conluio entre o Ter e o Poder, como no-lo deram a conhecer alguns casos que passam pelos tribu­nais). A televisão não se cansa de mos­trá-los. Por isso, quem anseia por ver­da­deiras transformações não é a classe dominante, que vive feliz e contente, mas os marginalizados pela sociedade injusta. Os cortes salariais, que empur­raram para situações aflitivas 450 mil funcionários públicos, o desemprego ga­lopante, o aumento dos impostos, o PEC-1 e o PEC-2 fazem-se ao ritmo dos interesses da poderosa classe domi­nan­te. E não se pense que o Estado português se afaste do neoliberalismo opressor e injusto: a dignidade dos po­bres não provém nunca dos que promo­vem a pobreza. Albert Jacquard, no li­vro O futuro não está escrito, que o Ins­tituto Piaget editou em 2004, escre­ve: “O mundo que o neoliberalismo está a construir, enfraquecido pelas suas cres­centes desigualdades, não é su­por­tá­vel e portanto acabará fatalmente por não ser suportado” (p. 104). Que assim seja!

Mas à classe dominante também não lhe interessa surgir, sem uma justi­fi­ca­ção ideológica – sem uma ideologia que alicia desescolarizados e acríticos, sustentando que a cega obediência à lei é condição da felicidade de todos. Ora, a pobreza não é um dado natural, mas o produto de uma determinada or­ga­nização da sociedade. O ataque ao “modelo social europeu” resulta ainda de uma certa visão da sociedade. É verdade que o Estado Social necessita de condições económicas, indispensá­veis ao seu funcionamento. Concordo com o Dr. Medina Carreira, quando es­cre­ve: “Há um embuste generalizado que consiste na promessa, para a eter­nidade, do Estado Social, sem referir que só poderá sobreviver onde e enqu­an­to ocorrerem as circunstâncias míni­mas adequadas de natureza económi­ca, demográfica e política” (Portugal – que futuro?, p. 64). Mas não é também verdade que há países de sólida eco­no­mia, onde a miséria se perpetua? Erradicar a pobreza económica exige, em primeiro lugar, o termo imediato da miséria política. Há milhões e milhões de pessoas que não sabem unir-se na defesa de interesses comuns, que estão impedidos de exprimir livremente as su­as opiniões e de se organizarem em formas dinâmicas de associativismo, que enfim nada são frente ao Estado e às oligarquias. E assim o progresso económico não poderá converter-se em justiça social. Na Europa, aparentemen­te (só aparentemente), não se desco­brem as formas mais típicas de abuso do poder político: o estado de privilégio e o estado de impunidade – que assim se podem resumir: para os pobres só há deveres; para os políticos e a alta finança, só há direitos. E onde a corrup­ção e a burocracia se confundem, por­que tudo se faz em proveito de alguns...

Mas, na Europa, como no mundo oci­dental, permanece intocável o ultra­li­beralismo de Reagan e Thatcher, que reinventou o capitalismo do século XIX. George Gilder, “amigo do peito” de Ro­nald Reagan, escreveu: “Trabalho, fa­mília e fé são os únicos remédios para a pobreza. Para subir na escala social, os pobres devem, em primeiro lugar, tra­balhar com mais denodo do que as clas­ses superiores. Todas as gerações de pobres o fizeram. Ora, actualmente, os pobres, os brancos mais do que os negros, recusam-se a trabalhar muito. E assim os apoios estatais e outros su­b­sídios ainda os fazem mais preguiço­sos” (Richesse et pauvreté, Fayard, Paris, 1981, p. 81). E, sob a benção de Reagan e Thatcher, renasce uma teoria redutora do ser humano, o homo oeconomicus. O homem vale na medida em que dá lucro... ao patrão! Sem sombra de dúvida, a humanidade atin­giu um nível de riqueza, sem igual na sua história. No entanto, as desigualda­des sociais cresceram também de forma gritante. Por isso, é de temer que o pa­co­te de austeridade avançado pelo Governo se destine mais a satisfazer os interesses do grande capital do que os imperativos de uma justiça social que contemple, principalmente, os mais necessitados. Ficou célebre (pela as­neira) a entrevista de Gérard Debreu ao Figaro Magazine, em 1984: “A superioridade da economia liberal é mate­ma­ti­ca­mente demonstrável”. Assim co­mo Galileu dizia que a natureza se en­con­trava escrita em linguagem matemáti­ca, Debreu diz o mesmo em relação à economia. É esta a linguagem dos apo­logistas do “mercado, antes de tu­do”. O agravamento fiscal, o desempre­go, a redução dos salários, patenteia, com nitidez, até onde vai a matemática destes economistas.

Perguntam os jornais: “Afinal, o que correu mal?”. Deveriam perguntar antes: “Afinal, o que corre mal?”. É que a globalização neoliberal é um imenso fracasso. Até ideologicamente. É que se apresenta como “pensamento úni­co” – que produziu, em Portugal, acres­cen­te-se, uma inequívoca decadência social e económica e, no mundo todo, o aumento das desigualdades e a destruição da natureza. Aliás, “pensa­men­to único”, porque a exploração tem sempre as mesmas características.

Termino, afirmando que, no meu mo­des­to entender, a primeira obriga­ção dos portugueses, hoje, é desmas­ca­rar os disfarces do poder. É que can­sa tanto socialismo perfeitamente igual ao capitalismo selvagem! É que cau­sam vómitos os intelectuais orgânicos do patronato, escondendo, sem vergonha, a miséria, a servidão, as lavas da corrupção e do nepotismo. Antero de Quen­tal, nas Conferências do Casino, de 1871, falou de uma Revolução ne­ces­sá­ria. Era Proudhon, o seu mestre. O meu mestre é Jesus de Nazaré, mes­mo quando leio Karl Marx. A cada um de nós, Jesus deixa um conselho: ”A­mai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Por isso, o que ofende a consci­ên­cia de uma pessoa de boa vontade não é uma certa economia de mercado, mas que os lucros, mesmo que etica­mente conseguidos, não se destinem ao bem de todos e se convertam em o­di­oso privilégio egoísta. A Crise Eco­nó­mica que nos assola (a nós, os mais pobres) tem uma causa, a princi­pal: uma interpretação falsificada da econo­mia, como irrefreável instrumento do individualismo capitalista. Como se vê, a Crise só é económica para quem não vê, para além do aparente.


 

Frutos do Hediondo Capitalismo Mundial

Por Frei Betto, Teólogo

 

A Universidade de Bergen, na No­ru­e­ga, desenvolve um Programa Inter­na­cional de Estudos Comparativos so­bre a Pobreza. Suas análises, como observa o cientista social Atílio A. Boron, da Argentina, têm desmoralizado o dis­curso oficial elaborado, nos últimos 30 anos, pelo Banco Mundial, e reproduzi­do incansavelmente pelos grandes meios de comunicação, autoridades go­vernamentais, académicos e intelectu­ais.

Hoje, habitam o planeta 6,8 biliões de pessoas. Das quais, 1,2 bilião são des­nutridos crónicos (FAO, 2009); 2 biliões não têm acesso a medicamen­tos (www.fic.nih.gov <http://www.fic.nih. gov/> ); 884 milhões vivem sem água potável (OMS/UNICEF, 2008); 924 mi­lhões estão sem tecto, ou se abrigam em moradias precárias (ONU Habitat, 2003); 1,6 bilião não dispõem de ele­ctri­cidade (ONU, Habitat, Urban Ener­gy); 2,5 biliões não contam com sanea­mento básico (OMS/UNICEF, 2008); 774 milhões de adultos são analfabetos (www.uis.u­nes­co.org <http://www.uis. unes­co.org/> ); 18 milhões morrem, por ano, devido à pobreza, a maioria crian­ças com menos de 5 anos (OMS); 218 milhões de jovens, entre 5 e 17 anos, trabalham em regime de semiescravi­dão (OIT: La eliminación del trabajo in­fantil: un objetivo a nuestro alcance, 2006).

Entre 1988 e 2002, os 25% mais po­bres da população tiveram sua par­ticipação na renda mundial reduzida de 1,16% para 0,92%. A parcela 10% mais rica, que antes dispunha de 64,7% da riqueza mundial, ampliou sua fortu­na, passou a dispor de 71,1%. O enri­quecimento de uns poucos tem, como contrapartida, o empobrecimento de muitos, alerta Boron.

Apenas este aumento de 6,4% da fortuna dos mais ricos seria suficiente para duplicar a renda de 70% da po­pulação mundial! O que significaria sal­var milhares de vidas e reduzir a penú­ria e o sofrimento dos mais pobres. Bo­ron enfatiza: tal benefício se obteria tão-somente redistribuindo os ganhos adi­cionais, entre 1988 e 2002, dos 10% mais ricos da população mundial, sem ti­rar um cêntimo de suas exorbitantes fortunas. Infelizmente tal medida soa ina­ceitavelmente odiosa para as classes dominantes do capitalismo mundial.

Eis a conclusão de Boron, a partir dos dados da universidade noruegue­sa: “Se não se combate a pobreza (nem se fala em erradicá-la sob o capi­ta­lismo) é porque o sistema obedece a uma lógica implacável centrada na obtenção do lucro, na concentração de riqueza e no aumento incessante da po­bre­za e da desigualdade econó­mi­ca-social.”

Se 2/3 da humanidade vivem, se­gundo a ONU, abaixo da linha da po­bre­za (= renda mensal inferior a US$ 60), não se pode considerar o capitalis­mo um sistema exitoso. Como o socia­lis­mo do Leste europeu, ele também fracassou. A diferença é que fracassou para a maioria da população mundial. E entre aqueles que celebram equivo­ca­damente sua vitória – para eles, bem entendido -, a maioria não se dá conta de que o capitalismo causa desagrega­ção social, destruição do meio ambien­te, corrupção política, crise moral e in­cremento de conflitos bélicos.

Na América Latina, em fins de maio, a Cepal (Comissão Económica para a América Latina e Caribe, vincu­lada à ONU) alertou para a dilatação dos níveis de desigualdade social. Embora o PIB continental possa crescer cerca de 4% este ano, há muita dispari­dade no interior dos países. No Brasil, por exemplo, Brasília é nove vezes mais rica do que o Piauí. No Peru, a região andina de Huancavelica é sete vezes mais pobre do que a parte costeira de Moquegua, no sul.

Há “territórios vencedores e perde­dores”, afirmou a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, na apresenta­ção do informe. O desafio é “crescer para igualar”, e o Estado deve cumprir um papel mais activo nesse sentido, e não deixar a tarefa para o mercado, propôs Bárcena.

As nações com maiores desigual­da­des são Bolívia, Equador, El Salva­dor, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Paraguai, Peru e República Dominica­na, que, no biénio 2007/8, investiram, em média, apenas US$ 181 por pessoa em políticas sociais. Brasil, Argentina, Chile, Costa Rica, Panamá e Uruguai investiram, em média, US$ 1.029 na­que­le mesmo período. Esse bloco os­tenta o maior PIB por pessoa na Amé­rica Latina. A meio caminho estão Co­lômbia, México e Venezuela, com in­ves­timento médio de US$ 619.

O acesso à educação é um funil perverso. Entre jovens mais pobres, apenas 1 em cada 5 conclui o ensino médio. Entre os mais ricos, 4 em cada 5 o concluem.

Segundo a Cepal, para reduzir es­sa iniquidade, os países com menor gasto social teriam que investir entre 6% e 9% do PIB para assegurar cesta básica mensal à sua população menor de 5 anos, ao grupo com idade acima dos 65 e aos desempregados. No caso das crianças entre 5 e 14 anos, o cál­culo se baseia na metade da cesta. O custo para as nações com maior gasto social oscilaria entre 1% e 1,5% do PIB e, para os países intermediários, entre 2% e 4%.

Apesar desses desafios, a Cepal re­conhece um significativo aumento do gasto social global na América Latina: entre 1990 e 2008, passou de 12% pa­ra 18%. Houve também queda da po­bre­za regional: entre 2002 e 2008, bai­xou de 44% para 33%. No entanto, con­sidera tais avanços, insuficientes. O gasto social precisa aumentar ainda mais, sobretudo agora que o impacto da crise mundial provoca perda do po­der aquisitivo das famílias e arrasta 9 milhões de pessoas para a pobreza.
Copyright 2010 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor.

 


 

A Parábola

Por Frei Betto

 

Um homem muito rico, acometido de grave doença e desenganado pelos médicos, convocou filhos e netos para comunicar-lhes a herança que lhes deixaria. Todos, ansiosos, compare­ceram ao hospital. Formaram uma grande roda em torno do leito. Dada a ordem, o advogado do enfermo abriu a pasta e distribuiu aos herdeiros caixas de fósforos, uma para cada um. Decepcionados, entreolha­ram-se e, ao abrirem a caixinha, encontraram pequenas sementes. O homem, tomando em mãos uma das caixas, explicou: “Esta semente é a do amor; esta, da solidariedade; esta aqui, da compaixão; esta, da amizade; aquela ali, do perdão. Se vocês souberem cultivá-las, haverão de ser felizes.” E acrescentou: “A fortuna que acumulei será destinada a obras culturais / sociais.”
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Estado Laico e as Igrejas

Por L. Boff, Teólogo

 

A descriminalização do aborto e a união civil de homosexuais, temas sus­citados na campanha eleitoral, ensejam uma reflexão sobre a laicidade do Es­tado brasileiro, expressão do amadure­ci­mento de nossa democracia. Laico é um Estado que não é confessional, co­mo ocorre ainda em vários países que es­tabelecem uma religião, a maioritá­ria, como oficial. Laico é o Estado que não impõe nenhuma religião, mas que respeita a todas, mantendo-se imparci­al diante de cada uma delas. Essa imparcialidade não significa desconhe­cer o valor espiritual e ético de uma con­fis­são religiosa. Mas por causa do respeito à consciência, o Estado é o garante do pluralismo religioso.

Por causa dessa imparcialidade não é permitido ao Estado laico impor, em matéria controversa de ética, comportamentos derivados de ditames ou dogmas de uma religião, mesmo dominante. Ao entrar no campo político e ao assumir cargos no aparelho de Es­tado, não se pede aos cidadãos religiosos que renunciem a suas convic­ções religiosas. O único que se cobra deles é que não pretendam impor a sua visão a todos os demais nem traduzir em leis gerais seus próprios pon­tos de vista particulares. A laicidade obriga a todos a exercer a razão comu­nicativa, a superar os dogmatismos em favor de uma convivência pacífica e diante dos conflitos buscar pontos de convergência comuns. Nesse sentido, a laicidade é um princípio da organiza­ção jurídica e social do Estado moder­no.

Subjacente à laicidade há uma fi­lo­sofia humanística, base da democra­cia sem fim: o respeito incondicional ao ser humano e o valor da consciência individual, independente de seus con­dicionamentos. Trata-se de uma crença, não em Deus, como nas religiões que melhor chamaríamos de fé, mas de crença no ser humano em si mesmo, como valor. Ela se expressa pelo reco­nhecimento do pluralismo e pela convi­vência entre todos.

Não será fácil. Quem está convenci­do da verdade de sua posição, será ten­tado a divulgá-la e ganhar adeptos para ela. Mas está impedido de usar meios massivos para fazer valê-la aos outros. Isso seria proselitismo e funda­men­talismo.

 

Laicidade não se confunde com laicismo. Este configura uma atitude que visa erradicar da sociedade as reli­giões, como ocorreu com o socialismo de versão soviética, ou por qualquer motivo que se aduza, para dar espaço apenas a valores seculares e racionais. Este comportamento é religioso ao aves­so e desrespeita as pessoas religiosas.

Sectores de Igreja ferem a laicida­de, quando, como ocorreu entre nós, aconselharam a seus membros a não votarem em certa candidata por apoiar a discriminalização do aborto por ra­zões de saúde pública, ou aceitar as uniões civis de homosexuais. Essa ati­tude é inaceitável dentro do regime laico e democrático que é o convívio le­gítimo das diferenças.

A acção política visa a realização do bem comum, concretamente possí­vel nos limites de uma determinada si­tuação e de um certo estado de consciên­cia colectivo. Pode ocorrer que, de­vido às muitas polémicas, não se consi­ga alcançar o melhor bem comum con­cretamente possível. Neste caso é razo­á­vel, também para as Igrejas, acolher um bem menor ou tolerar um mal me­nor para evitar um mal maior.

A laicidade eleva a todos os cida­dãos religiosos a um mesmo patamar de dignidade. Essa igualdade não inva­lida os particularismos próprios de cada religião, apenas cobra dela o reconhe­ci­mento desta mesma igualdade às outras religiões.

Mas não há apenas a laicidade ju­rí­dica. Há ainda uma laicidade cultural e política que, entre nós, é geralmente des­respeitada. A maioria das socieda­des actuais laicas são hegemonizadas pela cultura do capital. Nesta prevale­cem valores materiais questionáveis como o individualismo, a exaltação da propriedade privada, a laxidão dos cos­tumes e a magnificação do erotismo. Utilizam-se os meios de comunicação de massa, a maioria deles propriedade privada de algumas famílias poderosas, que impõem a sua visão das coisas.

Tal prática atenta contra o estatuto laico da sociedade. Esta deve manter distância e submeter à crítica os “novos deuses”. Estes são ídolos de uma “reli­gião laica” montada sobre o culto do pro­gresso ilimitado, da tecnificação de toda vida e do hedonismo, sabendo-se que este culto é, política e eco­lo­gi­ca­mente, falso porque implica a conti­nua­da exploração da natureza já de­gradada e a exclusão social de muita gente.
Mesmo assim não se invalida a laicidade como valor social.


 

Vou propor-vos duas reflexões

Por Bispo J. Gaillot

 

Eu acho que somos, hoje, teste­munhas do fim de um mundo — não digo, “do fim do mundo”, mas “do fim de um mundo” — e somos também testemunhas do nascimento de um outro mundo, um mundo que não sabemos o que virá a ser. E temos a possibili­dade de viver numa época assim por ser a nossa.

Fomos introduzidos num mundo no­vo. E como diz Jesus, “para um vinho novo, odres novos”. Sabemos que tudo mexe, tudo anda muito depressa. Já não há nada que esteja a salvo. Ne­nhu­ma instituição está a salvo. E nós temos por vezes a sensação de cami­nhar sobre um chão que se desmorona. Ora, neste contexto, vou propor-vos du­as reflexões, e vereis se elas são escla­recedoras.

A primeira, é a de ultrapassar as fronteiras. Nós vivemos num mundo que se constrói ultrapassando frontei­ras. É um sinal dos tempos. Construí­mo-nos na mudança. Nenhum país no mundo, nenhuma instituição, pode vi­ver fecha­da sobre si mesma. Somos obrigados a abrir-nos, e a ultrapassar fronteiras cul­turais, religiosas, geográfi­cas, histó­ri­cas, políticas. E o mais difícil é ultra­pas­sar as fronteiras que estão dentro de nós. Pois nós podemos ir até às extremidades da terra com modelos culturais antiquados.

Vivemos mudanças culturais sem precedentes na Europa. Penso em par­ti­cu­lar na nossa concepção de família e na nossa concepção de casal. Há pouco tempo, em Paris, um padre meu conhecido, que fez 70 anos, dizia que tinha ideia de fazer uma reunião famili­ar por ocasião do seu aniversário. “Co­mo somos nove irmãos e irmãs, e como eu sou o padre da família, organizei um encontro familiar na aldeia” — e, se­gundo ele me disse, foi um êxito. “Celebrámos a missa na igreja da al­deia, e organizámos um belo buffet na casa comunitária”. Eu disse-lhe então, “Tens sorte, de poder juntar assim todos os teus irmãos e irmãs”. E ele disse-me, “O mais novo não veio”. Disse-lhe eu, “Que pena”. Disse-me ele, “Sim, mas a culpa é dele. Ele é homossexual, ele queria vir com o namorado, e eu disse-lhe que não, que ele viesse sozinho, ou que não viesse de todo. E ele não veio”. Disse-lhe eu, então, “No fundo, tu excluíste o teu irmão”, ao que ele me disse, “Não, foi ele que se excluiu”. Mas a história não acaba aqui, pois dois sobrinhos-netos dele escreveram-lhe depois disso, dizendo-lhe, “Nós acháva­mos que tu eras tolerante, mas no fun­do, tu não soubeste acolher uma pes­so­a que nós amamos. E o seu lugar ficou vazio entre nós”.

Assim, nós temos concepções cul­tu­rais que não acompanham o mundo de hoje, as revoluções culturais das nos­sas sociedades. Tomemos o exem­plo de Jesus. Jesus, que não pertence apenas às igrejas, pertence à humani­da­de. Jesus sempre teve o desejo de encontrar aquilo que é verdadeira­men­te humano. Pelo caminho, ele vai en­con­trando homens e mulheres que ele não contava encontrar. E com a sua atitude, com o seu olhar, com uma palavra sua, ele reconhece a sua digni­dade. Para Jesus, a atitude que pode libertar as pessoas, é a de reconhecer a sua dignidade. Jesus devolve as pes­so­as a elas mesmas, à sua verdade, à sua liberdade. Ele ajuda-as a terem acesso à sua humanidade.

Eu penso que a alegria de Jesus era a de ver mulheres e homens que nascem enfim para serem eles próprios. E que descobrem o melhor que existe dento deles, para além da sua culpa­bi­lidade, para além do seu fardo. Que têm acesso à sua humanidade. Jesus tem uma fé humana neles. Ele dá-lhes a confiança de serem enfim eles pró­prios. E depois, a estas pessoas, ele dei­xa-as partir. Não faz deles discípu­los, não lhes diz, “Têm de me seguir, preciso de vocês”. Ele deixa-os partir. Não voltará a vê-los. Eu gosto muito desta liberdade de Jesus, que não tenta segurar as pessoas, para as trazer pa­ra uma instituição, para que elas aí fi­quem… Ele deixa-os entregues à sua vida, ao seu caminho. Eles vão viver a sua verdade de mulheres e de homens.
    Às vezes vou à prisão, a uma prisão de Paris, e uma noite fui visitar um preso. Então, alguém me disse, “Que é que ele fez?”, e eu respondi, “Não faço ideia. Nunca perguntei”. “Mas ele é crente?”, e eu respondi, “Não faço ideia”. Disseram-me, “Então conversa­ram acerca de quê?”, e eu disse que fui ao encontro de um homem que me disse o seu sofrimento. Fui ao encontro de um ser humano. E já não é nada mau!… O meu problema não é saber se ele é cristão ou não, ou de saber o que é que ele fez. Fui ao encontro de um ser humano, na prisão.

Conheci bastante o Abbé Pierre, e admirava nele o facto dele nunca de­fender a instituição. Não era problema dele. Ele nunca pregava a doutrina. Não era problema dele. Ele nunca de­fen­dia a lei. Não era problema dele. E quando se encontrava diante de uma audiência de cristãs e de cristãos, ele nunca dizia “Sejam cristãos”. Ele dizia: “S­ejam homens, sejam mulheres”. E é por isso que o Abbé Pierre não perten­ce à Igreja, pertence à humanidade. Porque ele sempre tentou ir ao encon­tro de homens e mulheres em dificul­dade. Não era a Igreja que lhe interes­sa­va em primeiro lugar. Eram os seres humanos.

A segunda reflexão, é a de pôr em prática a justiça e o amor que são devi­dos ao próximo. É este o ensinamento central de Jesus. Pôr em prática a jus­tiça e o amor que são devidos ao próxi­mo. A justiça e o amor, eles estão ligados.

Imediatamente antes de partir para Portugal, eu ia partir de Paris, e houve um jovem africano que se aproximou de mim e me disse, “Gostaria de falar um pouco consigo”. Eu respondi, “Bem, estou de partida, vou apanhar o avião”. Ele disse-me, “É breve”. Disse-me então, “Bem, acabo de ser nomeado bispo”. E ele era bem jovem. Em África, no Congo. “E gostaria que me desse um conselho, antes de ser ordenado”. Dis­se-lhe então, sem hesitar: “Bem, como bispo, é preciso que lutes contra a in­jus­tiça. Sempre. Venha ela donde vier. E se lutares contra a injustiça, a tua luz brilhará como a aurora. É o profeta Isaías que o diz, não sou eu. Aquele que luta contra a injustiça, a sua luz brilhará como a aurora”. Disse-me ele então, “Muito bem”. E partiu. Sem dúvi­da não o voltarei a ver, mas se ele lutar contra a injustiça no Congo, é formidá­vel. Nunca pensei em dizer-lhe “Tens de rezar”. Não. A justiça. Não é a prá­tica religiosa que o Evangelho põe em primeiro lugar. É a prática da justiça e do amor. E disto, ninguém está dispen­sado. É a prática fundamental. Não me perguntarão, no fim da minha vida, qu­an­tos casamentos ou quantas missas celebrei, perguntar-me-ão: “Que fizeste tu pelo estrangeiro, que fizeste tu pelo que tinha fome?” E isto que me irão per­guntar. Não me perguntarão se eu era crente ou não, se eu fazia referência a Deus ou não, o que importa são os la­ços com o estrangeiro, com o que tinha fome.

Há pouco tempo, fui ao tribunal, on­de estavam três chineses, três jo­vens chineses, de 18 anos. Alunos fina­listas de liceu. E não tinham documen­tos, e por causa disso, tinham de voltar, com os pais, para o seu país. Tinham então apelado ao tribunal, e era uma mulher que presidia. E tudo dependia desta mulher, todo o seu futuro. Será que esta mulher lhes daria razão, ou não? E havia também uma advogada, que eu conheço bem, com os três alunos chineses, e que os defendeu com competência e com empenho. Esta mu­lher, que é mãe de família, que está ligada à Câmara Municipal de Paris, ela é formidável. Não suporta a injusti­ça. Ela defendeu verdadeiramen­te bem estes três chineses. E eu dizia para mim mesmo, “Esta mulher vive de facto a bem-aventurança da justiça: benditos aqueles que têm fome e sede de jus­tiça”. E eu nem sei se ela é crente ou não, mas ela vive a bem-aventurança da justiça.

Eu pertenço a uma associação de­di­cada aos estrangeiros sem docu­men­tos, e houve um militante que morreu recentemente. Uma pessoa que foi, toda a vida, militante comunista. E eu via-o sempre fora de casa: na rua, nas pra­ças, sempre militante. Foi a primeira vez que o vi num hospital, ele tinha um cancro. E, no seu enterro, houve uma pequena cerimónia: estavam lá a família, amigos, muita gente. Todos os pobres que ele tinha defendido ao lon­go da sua vida. Tomei a palavra, e disse, “Aquele que vocês conheceram, ele nunca aceitou a injustiça, ele defen­deu a justiça toda a sua vida.”


OUTRO CORREIO

O que me diz é grave. Muito grave.

 

Pombal. António: Meu caro Amigo. Há um ano, talvez, escrevi-lhe uma carta fazendo-lhe algumas perguntas e pedindo resposta para elas no seu jornal. E dizia que se não as publicasse, nunca mais me deveria mandar o Jornal. O meu Amigo nem as publicou, mas continuou a mandar o Jornal. Hoje [11-10-10], ao ler o Jornal de Setembro passado, deparei com este passo: “Este homem-presbítero da Igreja do Porto, radicalmente dissidente da Igreja Católica que, sem sequer ter consciência do que então fez, para isso me ordenou em 5 de Agosto de 1962”.

Ora, a questão que então lhe punha, refere-se a isto. Eu perguntava, em síntese, o seguinte: se, quando foi ordenado, já pensava como agora pensa? E, se pensava, nenhum Bispo o poderia ter ordenado; se foi ordenado, é porque ludibriou o Bispo – o que é grave falta a macular o seu carácter. Mas, se não pensava na altura, como agora pensa, continua a ser grave falta de carácter permanecer dentro da Igreja, atacando-o conforme ataca. (Continua, 13-10-10): Vi pela televisão, as cerimónias de 13 de Outubro. O meu Amigo, tudo quanto tem dito de Fátima leva-me a chamar-lhe a atenção para o seguinte: Sendo o Sr. Pessoa inteligente pode conceber – sendo intelectualmente honesto! - que aqueles milhares e milhares de pessoas andam enganadas e, certo, somente o Sr?! E, desde há quase cem anos, tantos milhões e milhões de pessoas que por lá têm passado, andarão todas enganadas e só senhor, na verdade?! Repugna-me imenso ler o que escreve sobre Fátima. Já tenho rezado algumas vezes para que o Espírito Santo o ilumine, se é que o meu Amigo precisa de ser iluminado, o que duvido. O Sr. é cada vez mais “iluminado” por Lúcifer. Ai, quando vejo o que diz, conheço o seu percurso de vida, vejo o pouco tempo que lhe resta para se arrepender e ainda poder fazer penitência, estremeço. Mesmo o que fez pelo Pedro Miguel, atitude de alto mérito, qual terá sido a sua grande motivação intrinsecamente verdadeira? Fazer este grande bem para querer compensar tão grande mal, ao longo da sua vida?! Despeço-me para sempre. Vou incluí-lo nas minhas desvalidas orações a N. S. de Fátima. Que ela, como sua Mãe, se amerceie da sua trágica vida. Meu último grande abraço.

 

ND

O meu novíssimo abraço, António. A sua correspondência vai para a sede do Jornal Fraternizar em S. Pedro da Cova. Ora, vai para sete anos, que vivo em Macieira da Lixa (Rua alto da Paixão 298, 4615-413 Macieira da Lixa). Algumas cartas acabam por ser lidas por alguém da Associação e, depois, não me chegam às mãos. Pode ter sido o caso da sua carta anterior. Esta última, dei por ela, quase “in extremis”, numa das vezes que passei por lá. O que me diz é grave. Muito grave. Ludibriar o Bispo, eu? E logo no acto da Ordenação?! O meu ser-viver-actuar de Presbítero da Igreja do Porto, desde então até hoje – são quase 50 anos! – revela que sou um Homem-Presbítero com falta de carácter?! O António é capaz de condenar a vítima e absolver o carrasco?! O Bispo, quando se torna Poder Episcopal, como o Presbítero, quando se torna poder paroquial, passam a carrascos dos Povos. Não sabia? É de Jesus, que tem o cuidado de logo acrescentar: Isso, fazem os grandes das nações. Entre vós, não há-de ser assim!!! Mas é, António. E para pior. Acontece, António, que quem nos ordena Presbítero ou Bispo, não é o Bispo, mas o Espírito Santo, o de Jesus. A Ordenação é apenas Sinal /Sacramento visível da Acção Substantiva Invisível que tem por Sujeito o próprio Espírito Santo. Já é assim, paradigmaticamente, com Jesus. E, a Jesus, nem sequer houve quem o ordenasse! Por isso, o sumo-sacerdote de Jerusalém nunca o reconheceu. E mandou-o Crucificar na Cruz do Império. Por esse seu raciocínio, o António deveria ser um seguidor do sumo-sacerdote de Jerusalém, não de Jesus. Segue o Crucificado (e faz bem!), não segue o Crucificador, mesmo que ele se apresente vestido das funções de sumo-sacerdote. Deveria fazer o mesmo, agora, mesmo que o Crucificador, hoje, se apresente vestido de Bispo residencial (= Poder) de uma Diocese! Acontece ainda, António, que no decurso da minha Ordenação, em 5 de Agosto de 1962, o Espírito Santo, o de Jesus, se apoderou de mim, de modo especial, enquanto estive de bruços sobre o lajedo da Sé do Porto. Quando me levantei, já era outro Homem. Já era Presbítero. O meu Olhar brilhava. Todo eu era Liberdade. E o Bispo-Poder Eclesiástico, na sua poltrona episcopal, não foi capaz de ver. Não é capaz de ver. Todo o Poder é cego e agente histórico de Cegueira. Não seja ingénuo, António. Entenda tudo, como adulto. Poder = cego e agente de Cegueira. O Poder é o Inimigo da Luz, do Espírito de Jesus, numa palavra, de Deus Criador. O Poder é o anti-Deus Criador. Lá, onde estiver activo, faz escravos, súbditos, vítimas. Ao passo que Deus Criador, onde estiver activo (há quem prefira o Poder /o Ídolo, a Deus Criador!), faz filhas, filhos constituídos em Liberdade /Maioridade, seres autónomos, ao ponto de viverem na História como se Deus não existisse! Imagine! Se nunca lhe ensinaram esta Doutrina, é porque o António só tem ouvidos e olhos para os agentes históricos do Poder (sempre passageiros!), não para o Espírito Santo, o de Jesus. Assumo-me como Dissidente na Igreja. Não da Igreja! Enquanto ela for Poder Eclesiástico, sou Dissidente dentro dela. Não bato com a porta. Não sou um “puro”, um “cátaro”. Carrego todo o Pecado da Igreja, mas não quero contribuir com o meu Pecado de Desobediência ao Espírito Santo, o de Jesus, o que faria, se não fosse dissidente na Igreja! Vai rezar por mim?! Deixe-se dessas infantilidades, António! Seja filho adulto de Deus Criador, nosso Abba-Mãe. E basta! Seu, Mário

P.S.

O que me escreve sobre a senhora de Fátima, António, é um vómito teológico. Digo-lho com toda a Ternura. É um insulto a Maria, mãe de Jesus. E a Jesus, o camponês artesão de Nazaré, a quem nem a sua própria mãe, o conseguiu entender, tão Dissidente ele é, em relação ao Judaísmo davídico, ao Judaísmo da Lei de Moisés e ao Judaísmo do Sacerdócio de Aarão. A senhora de Fátima, minha mãe? Por favor, António, não me ofenda, nem ofenda a minha mãe! A minha mãe é Ti Maria do Grilo, jornaleira, pobre como Job, por condição, primeiro; mais tarde, por opção. É ela, Ti Maria do Grilo, mais do que todos os padres /sacerdotes e professores do Seminário, a minha primeira Evangelizadora e quem me desperta, desde menino, para Jesus e o seu Projecto Político do Reino /Reinado de Deus Criador. A senhora de Fátima é uma imagem que o santeiro de Braga, senhor Tadim, depois da Mentira do Clero de Ourém, em 1917, fez. Uma imagem tosca, como todas ou quase todas as imagens das míticas deusas dos cultos do Paganismo que os profetas bíblicos, uns 700 anos antes de Maria, a mãe de Jesus, ter nascido, já combatiam. Em vão. Porque as populações, possessas de ancestrais Medos, faziam /fazem orelhas moucas ao que eles ensinavam e continuavam a correr, em muito maior número do que hoje correm para Fátima, para os respectivos santuários, colocados nos lugares altos e quase inacessíveis. O que lhe fizeram, António!... Vê porque não posso deixar de ser Dissidente dentro da Igreja Católica?! Sou Presbítero da Igreja do Porto, não para ensinar esses horrores e alimentar esses ancestrais Medos, mas para Anunciar o Evangelho ou Boa Notícia de Deus Criador aos Pobres e aos Povos. Inclusive, à Igreja. Mas, quando os Pobres e os Povos preferem as catequeses terroristas do Poder Religioso-Eclesiástico à Boa Notícia de Deus Criador, acha que tenho de ir juntar-me a eles e canonizar o que na minha Missão Presbiteral, tenho de denunciar, oportuna e inoportunamente?! Haja modos, António!

 

Email. M Tiago: Querido Padre Mário. Suas palavras calam fundo em minha alma. São verdadeira Eucaristia, que nos tornam mais humanos, mais dignos de sermos filhos de um Pai todo ele Liberdade, todo ele Presença amorosa e Politicamente Libertadora.

Quem te escreve novamente é o M Tiago do Brasil. Para lhe falar de que continuamos juntos na Luta por um Mundo melhor mais justo e fraterno. E tenho uma boa noticia para lhe dar: como professor de uma disciplina chamada Fundamentos filosóficos e teológicos contemporâneos, que é obrigatória para todos os alunos de todos os cursos da Universidade em que trabalho - apresentei seus livros para alunos dos primeiros anos de várias faculdades... E não é que muitos se encantaram pelos teus textos?! Comecei pelo “Nem Adão e Eva” e, depois de o discutirmos, linha por linha, como se o mastigássemos qual alimento precioso, fizemos belos painéis sobre cada capítulo.

Agora, para o segundo semestre, cada aluno (são vinte e cinco) de cada turma, ficou responsável por ler dois salmos da versão do século XXI e expressá-los através de linguagens estéticas: pintura, escultura, teatro, música, etc....Tem sido uma experiência animadora e libertadora… Já na outra faculdade, agora no curso de Teologia, creio que vou ser despedido....rs.... pois tinha que trabalhar o Evangelho de Marcos...e adivinha qual o texto do Evangelho que eu escolhi trabalhar com os alunos? rs.... Outro dia me emocionei até ás lágrimas, quando um dos alunos disse que, depois dessa leitura, queria ser teólogo para animar as comunidades a ser como Jesus expresso no teu “Outro Evangelho”. Não é belo e tocante?

Assim, seus livros – sempre “hereges”...rs... estão adentrando o sacrossanto espaço da academia e, dessa forma, espalhando saudavelmente as “heresias” diante do poder estabelecido...

Enfim, não tem ideia como gosto de si e lhe admiro, mesmo não o conhecendo pessoalmente... posto que nos conhecemos da melhor forma, possível: em Jesus, nosso grande paradigma de libertação...

Se muitas pessoas o maltratam, lembre que há pessoas como eu que o têm muito perto, se não geograficamente, em seus corações... Definitivamente, estás em meu coração. Um abraço repleto de carinho, admiração e paz...

 

ND

Assim é: Do M Tiago, só me chegam boas notícias. E que boas notícias, no que respeita ao avanço no nosso Hoje, Século XXI, da Boa Notícia Jesus e do seu Projecto Político Maiêutico, o mesmo de Deus Criador Abba-Mãe de todos os Povos por igual! Fico todo em EUCARISTIA com a sua mensagem. Bendito seja pelo trabalho que realiza, na prossecução do mesmo trabalho de Jesus; por sua vez, na prossecução do trabalho do seu e nosso Abba-Mãe (cf. João 5, 17). Bendito seja, juntamente com esses jovens estudantes que, graças a si, se deixam abrir à mesma Ruah de Jesus. O presente deles começa a andar carregado de Futuro. Ainda que o seu próximo Quotidiano profissional, se eles se mantiverem fiéis à mesma Ruah de Jesus, coisa que nem o grupo dos Doze que acompanhava fisicamente Jesus fez, não será nada fácil. Mas que eles se não deixem perturbar com isso. Porque o Fácil sempre corrompe. E nunca ninguém pode dizer, sem Mentir, que ser Mulher-Homem, plena e integralmente Humano como Jesus, é coisa fácil. É o que há de mais difícil à face da Terra. Prossigamos, Via Jesus adentro. Até ao Limite do Humano. E para lá do Limite.

Seu, todo Canto e Dança, Mário

 

Email. A. Machado: Acho de interesse, de coragem e até de heroísmo, a vossa atitude e comportamento. Leio pela internet os vossos escritos e conheço os vossos vídeos. Simples e bem elaborados! Parabéns.

 

ND

A. Machado, o que dizer a estas suas palavras?! Acolho-as e prefiro ficar em Silêncio. Já viu a responsabilidade que põe sobre os meus ombros?! Prosseguirei, atento à Ruah, a de Jesus. E à sua escuta. Mário

 

Email. Waldecy: Pe Mário, pode ter muita tem sabedoria material, mas está completamente fora da Espiritual. Lendo minha história, o senhor vai ver o porquê de minha afirmação.

 

ND

Waldecy, lamento e choro esta sua persistente postura. Quando é que se liberta, de vez, da Opressão da Letra, a da Bíblia e a da sua Cultura e toda a outra Letra de todos os Institucionais, a começar pelo Institucional Religioso?

Deixe, como Jesus deixa (cf. Marcos 1, 10), que a Ruah de Deus Criador Abba-Mãe de todos os Povos por igual brote de dentro de si como Fonte de água viva.

O meu abraço preocupado e com lágrimas, Mário

 

Email. Marta: Boa tarde P. Mário, é com enorme prazer que lhe escrevo, pois já tenho ouvido falar muito de si.(Amigos). P. Mário eu vou á missa todos os Domingos e leio a Bíblia, na missa estou sempre a ouvir a falar em Anjos e que certos Anjos apareceram a Maria mãe de Jesus para lhe dizer que Ela teria um filho. A minha pergunta é esta ,os Anjos existem? Deus o abençoe.

 

ND

Olá, Marta: Peço desculpa de só agora aparecer. Li, na hora, o seu email. Achei a sua questão tão fora deste tempo, que me sorri. Não respondi logo, porque ocupo-me com questões essenciais. E essa sua questão não é essencial. Basta não dizer respeito ao nosso Hoje e Aqui, às grandes questões que estão no centro das preocupações dos seres humanos e dos Povos. Depois, nunca mais voltei a pousar os olhos sobre o seu email. E esqueci-me dele. Agora, quis aliviar a caixa de correio e pus-me a apagar o que era de apagar. Deparo de novo com o seu email. Volto a sorrir. E já respondo. Isto que acabo de lhe escrever. Nada mais. Porque não se trata de uma Questão Essencial, que mereça a minha atenção. Oxalá, deixe de merecer também a sua. A menos que a Marta queira ser Anja de carne e osso (Anjo, Anja, quer dizer portador de mensagem-Boa Notícia de Deus Criador, Abba-Mãe, para todos os povos) com os demais e para os demais. Mas então já não se diz Anja, Anjo. Diz-se Militante de Causas, na peugada do Militante Jesus. O Militante Maior da Causa do Reino /Reinado de Deus, isto é, do Projecto Político Maiêutico de Deus Criador, ainda em edificação na História contra o Império! É com Jesus, o Militante Maior, que a deixo. Seu, Mário

 

Email. Elisabete (1): Bom dia Padre Mário. Ontem ao efectuar uma pesquisa na net, acabei “tropeçando” no seu site e lembrei o livro que em tempos li de sua autoria “Fátima Nunca Mais”. Aproveitei para ler as suas últimas notícias e no final fiquei com vontade de lhe colocar a seguinte questão: Este ano em viagem de férias a Itália, passei por Assis e tomei pela primeira vez contacto com o padroeiro de Itália, S. Francisco de Assis. Não sei se pelo ambiente medieval da cidade, se pelo esplendor da Basílica senti uma espiritualidade genuína no ar e que me tocou. Eu que por natureza não procuro muito os Santos como intermediários no meu diálogo com Deus (tenho formação católica romana, mas … sou bastante crítica quanto à sua estrutura), tenho ultimamente elevado o meu pensamento a S. Francisco em momentos de recolhimento. Ora, ontem, recordando Fátima e a sua posição com a qual concordo, embora respeite quem nela acredita, interroguei-me: será S. Francisco de Assis um embuste da Idade Média? Se puder comentar esta minha dúvida, ficar-lhe-ia muito grata. Com amizade fraterna.

 

ND

Bem-vinda, Elisabete, ao meu correio electrónico. A sua questão fez-me de imediato mergulhar no capítulo 1, do meu Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação, edição Areias Vivas. O capítulo leva por título, Igreja celebra Francisco de Assis, mas prefere seguir o exemplo do pai. Assim é, Elisabete. Pelo menos, no que toca à Cúria Romana, ao papa-chefe-de-estado-do-vaticano (nestes dias, ele anda a mostrar-se e a receber ovações das multidões, nas ruas da cidade de Santiago de Compostela, aqui mesmo ao lado!), aos Cardeais, à esmagadora maioria dos bispos residenciais, mesmo em países que nós, EUROPEUS, sadicamente apelidamos do “Terceiro Mundo”, e à generalidade dos párocos, hoje, com 3-4-5-e mais paróquias cada um e todas a facturar para eles e para os respectivos bispos residenciais. Só um cego que não quer ver é que não vê. E, até – veja bem – no que toca aos próprios Franciscanos dos diversos ramos que se reclamam de “filhos” de Francisco de Assis!... Na verdade, mais parecem filhos do pai de Francisco de Assis!... Compreendo que a cidade de Assis, com o seu ambiente medieval (nunca a visitei, nem desejo visitar!), a tenha levado a “sentir uma espiritualidade genuína no ar”. Pelos vistos, essa “espiritualidade genuína” tocou-a. Poderia ter-lhe provocado tonturas, por exemplo. Ou, pior ainda, vómitos. Mas não; tocou-a. E Isso é que me deixa preocupado, Elisabete. Porque o que me escreve na sua mensagem é textualmente assim (sublinhados meus): “Não sei se pelo ambiente medieval da cidade, se pelo esplendor da Basílica, senti uma espiritualidade genuína no ar e que me tocou”. Nem se dá conta, mas a verdade é que a Elisabete escreve “o esplendor da basílica”. Já o haver basílica, na cidade de Assis, é para nos colocar logo de pé atrás, porque a Ruah /Sopro Maiêutico de Jesus, a mesma de Deus Criador que nunca ninguém viu, não mora em basílicas construídas pelo Poder Religioso, seus agentes históricos e seus “fiéis” pios e devotos. Tão pouco PASSA por basílicas. Pior, se basílicas com “esplendor”, como, pelos vistos, é a de Assis. Lá, onde houver basílicas e outros lugares reservados ao Religioso, inevitavelmente, propriedade privada do Poder Religioso, cristão que se diga, nunca há Deus Criador, o de Jesus. Apenas o Deus dos Sacerdotes, dos Cardeais e quejandos, que, como nos desvenda Jesus, é o Deus-Ídolo. Veja, Elisabete, o que os Sacerdotes e Cardeais fizeram de Francisco de Assis, o Pobre mais radical por opção, no seu tempo. Uma opção, feita por ele, ainda novo, e praticada pelo resto do seu viver visível entre nós e connosco. E que o fez passar por LOUCO, inclusive, no escandalizado dizer do seu próprio pai. Mal o apanham definitivamente INVISÍVEL, os Sacerdotes e os Cardeais que, na sua opulência e nos seus Privilégios, tanto escandalizam Francisco de Assis, o pobre radical por opção, fazem logo dele um Mito, que manipulam à vontade e, assim, conseguem Acumular /Concentrar mais e mais Riqueza e mais e mais Privilégios, à sombra do seu nome, total e criminosamente, ESVAZIADO por eles, do seu ser-viver-actuar histórico! Há lá comportamento eclesiástico mais PERVERSO, Elisabete?! Mas, depois do que esse mesmo Poder Religioso faz com Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, logo que o apanha na sua definitiva dimensão de Invisibilidade, já nada mais me consegue surpreender, por parte dos do Poder Religioso, Eclesiástico católico que se diga… Pergunta-me, ainda, sobre os santos, como intermediários. Felizmente, confessa que nunca foi muito de ir por aí. Mas, agora, nasceu-lhe um “fraquinho” por “S. Francisco de Assis”. Deve ter reparado que coloquei aspas no nome escrito por si. Porque S. Francisco de Assis já não é Francisco de Assis, nascido em Assis. Francisco de Assis, é aquele Homem que, jovem maduro, faz a radical opção de ser pobre e de assim se manter pelo resto do seu viver na História. Já "S. Francisco de Assis" é um Mito que o Poder Religioso-Eclesiástico católico habilmente criou e, agora, apresenta aos Povos como um especial “intermediário” entre os Povos e Deus. Assim como uma espécie de “padrinho” dos Povos, que actua junto de Deus, no estilo dos “padrinhos” das Grandes ou das menos Grandes Máfias do nosso tempo, aos quais, os pequenos mafiosos, do universo dos Negócios Sujos, recorrem a “meter uma cunha”, sempre que necessário. E o “padrinho” lá mete a cunha, mas, depois, o beneficiado nunca mais pode ignorar o “padrinho” e tem de fazer tudo o que ele lhe exigir, sob pena de aparecer morto de um dia para o outro. Estranha esta relação que acabo de fazer? Não estranhe. Porque o Deus, ao qual o mítico “S. Francisco de Assis”, criado pelos grandes do Poder Religioso, mete uma cunha, a pedido de alguém mais aflito, não é Deus Criador que nunca ninguém viu /vê e por isso também não consegue manipular. É apenas o Deus-Ídolo, o grande “Padrinho” da Grande Máfia que é a santíssima Trindade dos Poderes – o Poder Religioso, o Poder Político Armado até aos dentes e o Poder Financeiro Global. A coberto do qual, os agentes históricos desses três Poderes podem cometer toda a espécie de ROUBOS e de ASSASSÍNIOS, que não lhes acontece nada, pelo contrário, esses ROUBOS e esses ASSASSÍNIOS são sempre apresentados aos Povos e vistos pelos Povos, como Actos Santos e /ou Heróicos. Não é verdade que os do Poder Político Armado condecoram os que MATAM em seu Nome? E prendem e Matam os que denunciam os seus CRIMES?! E que os do Poder Religioso-Eclesiástico canonizam José Maria Escrivá de Balaguer e a Madre Teresa de Calcutá e perseguem, caluniam e votam ao ostracismo os membros da Igreja que denunciam os seus sujos Negócios, as suas sujas Liturgias, os seus idolátricos Altares, as suas Deusas e os seus Deuses, como a de Fátima, tudo sempre muito bem apresentado como Actos de Beneficência, de Caridade(zinha), de Religião, de “generosidade”, de “Sacrifício”,nunca como Actos de efectiva Dominação, de Mentira e de Idolatria descaradas?! Dou-lhe a minha paz. Mário

 

Email. Elisabete (2): Bom dia Padre Mário. São duras as suas palavras e as suas apreciações! Tem razão em denunciar os três poderes: Religioso, Político e Económico! Mas… derrubados os três, será que a humanidade no seu todo entende que passará a ficar por sua conta e portanto com plena responsabilidade de tudo quanto pense, faça ou acredita? Será que o Homem (pelo menos por enquanto) atingiu a sua plena maturidade de ser adulto? A anarquia não seria o resultado? Não quero com isto dizer que devemos baixar os braços, só que penso que é uma caminhada longa no tempo, pois comportamento e mentalidade, como melhor saberá do que eu, demoram a ser alterados. Penso que será mais uma mudança silenciosa, pois como eu existem certamente já milhões de pessoas que vão simplesmente assistindo às sucessivas trapalhadas dos ditos três poderes, mas em nada colaboram com eles… Pessoas como a Padre Mário que dão a cara, gritam e choram, haverá poucas, e são muito necessárias, mas fique certo que não está sozinho! Vi um pouco das cerimónias de Compostela e ao invés de ficar como o Padre por natureza fica: irritado, furibundo (?) achei um espectáculo confrangedor, pois os actores principais sabem bem o que estão a fazer… e isso certamente não lhes deixa grande paz. Por outro lado, penso que ainda existem muitos milhões que precisam daquilo, caso contrário ficam de mãos vazias e talvez não seja igualmente o momento próprio para tal. Eu ,do meu lado, sorri, elevei o pensamento a Deus e disse: ora aqui está mais uma obra artística do homem feita para te louvar , coisa que não precisas, mas sempre valerá a pena ir até Barcelona para apreciar o engenho do arquitecto, dos artífices e de todos os que ergueram aquele monumento além do mais (quanto a mim de gosto duvidoso), mas como sou curiosa por natureza e tento entender tudo e todos certamente vou encontrar qualquer coisa de bom por lá… nem que seja mais um sorriso ao pensar como somos todos tão pequenitos perante os mistérios reais do que é a nossa humanidade! Deus vai sorrir comigo tenho a certeza! Também lhe deixo a minha Paz e obrigada por ter perdido algum tempo a escutar alguém que nada mais é que um pequeno grão de areia na engrenagem que é o Universo!

 

ND

Eis-me, de novo, Elisabete. Não. Não fico “irritado, furibundo”, perante “o espectáculo degradante” (para recorrer às suas próprias palavras), que é, por exemplo, cada 13 de Maio a Outubro, em Fátima, ou que foram estes dias de romaria a Santiago de Compostela e de consagração pelo papa Bento XVI daquela monstruosa basílica em Barcelona, um ESCARRO de luxo em cima de todos os milhões de empobrecidos, de desempregados e de famintos do Planeta. Fico, sim, todo banhado em lágrimas. Completamente Esmagado. Só por isso é que a minha voz, depois, se faz CHICOTE NO TEMPLO, tal como testemunham de Jesus os 4 Evangelhos canónicos em 5 volumes, em Abril do 30, em Jerusalém. Perante a INDIGNIDADE e a HUMILHAÇÃO e a DESCARADA EXPLORAÇÃO que o TESOURO do Templo de Jerusalém praticava sobre as multidões de camponeses pobres /assalariados /escravos da Palestina (ao tempo, a esmagadora maioria da população), que até o último cêntimo de uma pobre viúva, era capaz de sugar, Jesus, de Palavra-feita-carne que é, como todo o ser humano deverá ser, faz-se, nesse mesmo instante, CHICOTE no Templo e EXPULSA tudo e todos de lá para fora, num gesto simbólico de DESTRUIÇÃO definitiva daquele COVIL DE LADRÕES. Pode a Elisabete, se dispõe de meios financeiros para isso (eu, felizmente, não disponho!), ir a Barcelona ver aquele MONSTRO SAGRADO que o Papa Bento XVI, o Executivo-mor, neste momento, do Poder Religioso-eclesiástico, foi lá propositadamente consagrar ao seu Deus-Ídolo. Esse Monstro Sagrado tem, eu sei, a concepção e a mão de famoso Arquitecto, um mais, entre tantos outros, por sinal, todos nos antípodas de Deus Criador, Abba-Mãe de todos os Povos e, por isso, um activo agente ao serviço da ALIENAÇÃO, da HUMILHAÇÃO e da EXPLORAÇÃO dos Povos do Planeta. Já Deus Criador, pelo contrário, a única obra de arte que espera de nós, suas filhas, seus filhos (para Ele, todas, todos somos ARTISTAS E CRIADORES!), é que Cresçamos de dentro para fora em Liberdade, em Maioridade, em Autonomia, de modo a CUIDARMOS, sororal e maieuticamente, da Terra e uns dos outros, em lugar de nos ocuparmos religiosamente das deusas e dos deuses, todos devoradores dos Povos. Alerta, Elisabete! Até a Arte anda possessa de Ideologia e de Idolatria. Os Artistas, quando servem projectos da Trindade dos Poderes, DEGRADAM-SE e DEGRADAM a Terra e os Povos. Concebem e Levantam PALÁCIOS e BASÍLICAS, quando, se fossem ARTISTAS de verdade, na peugada de Deus Criador Abba-Mãe de todos os Povos, Concebiam e Levantavam os POVOS OPRIMIDOS da Terra e a própria TERRA. Mas esta Sabedoria está-lhes vedada, como à maior parte de nós, senão à totalidade de nós, porque, para esta Sabedoria poder despertar /brotar como fonte de dentro de nós, primeiro, temos de fazer a lúcida e corajosa Opção de sermos pobres e por toda a vida, nunca, por nunca sermos donos de nada, nem de ninguém, numa Terra que está aí para ser de todos os Povos por igual, sem que nenhum povo, nenhum indivíduo, caia na tentação de se tornar o seu dono, no todo ou em parte. Porque, se o fizer, a Terra fica de imediato OPRIMIDA e CATIVA na Injustiça, como Hoje está, dentro desta (Des)Ordem Mundial do Mercado Financeiro Global. Cativa, Oprimida e a Gemer gritos lancinantes! Ainda um outro Alerta, se me permite (estou a escrever-lhe como um menino): Que Deus é esse, para o qual a Elisabete, pelos vistos, elevou ontem o pensamento (ainda gostava de saber como é que isso se consegue, assim com tanta garantia!) e lhe disse, “Ora aqui está mais uma obra artística do homem feita para te louvar”. A Elisabete tem a certeza de que Deus escutou estas suas palavras? Como é que sabe? E como é que isso se consegue, Elisabete? Não está, manifestamente, a lidar com um Ídolo que a Elisabete pode manipular à vontade, como uma criança manipula à vontade o último brinquedo que lhe ofereceram?! O mais dramático, Elisabete, é que tudo isto tem um PORÉM e que PORÉM! Precisamente, este: Esse tipo de Deus, para o qual, sempre que lhe dá na veneta, a Elisabete eleva o pensamento, só existe no seu pensamento. Por isso, é um Deus que só lhe diz o que a Elisabete quer ouvir. Está ao seu inteiro serviço. Nunca a IINTERPELA. Nunca lhe sai ao caminho, inesperadamente, como um ladrão. Nunca lhe pergunta, quando a Elisabete vai, por exemplo, a caminho de Barcelona, ONDE ESTÁ O TEU IRMÃO? O QUE FIZESTE DO TEU IRMÃO? ENTÃO TU AINDA NEM SEQUER CONSEGUES VER QUE ESTÁS A CONFUNDIR O TEU IRMÃO COM UMA BASÍLICA DE MUITOS MILHÕES DE EUROS? MAS ENTÃO TU AINDA NÃO CONSEGUES DISTINGUIR UMA BASÍLICA DE UM IRMÃO TEU, UMA IRMÃ TUA?! Desculpe, Elisabete, toda esta minha Ternura de menino. E, se for capaz, comece também a COMER do PÃO-VIVO, chamado Jesus, não o Jesus-Cristo do Papa e da Cúria Romana e do Obama da Casa Branca, mas o Crucificado na Cruz do Império pelos sacerdotes-bispos-donos da BASÍLICA da cidade de Barcelona, perdão, de Jerusalém. Se aceitar NASCER DE NOVO, da mesma Ruah Maiêutica de Jesus, depressa conseguirá ser-viver-pensar-actuar, sem mais necessidade de Polícias, de Leis, de intermediários, de sacerdotes, de santuários, de agentes históricos do Poder, todos feitos com o Senhor Deus-Dinheiro e o seu Mercado Global. Seu, cheio de Paz Desarmada, Mário

 

Email. Texto de um Pároco, reenviado por AP: Os bispos andam preocupados com o povo. Ainda bem. Acordaram como alguém parece ter insinuado. Mas, façamos algumas perguntinhas sobre estes senhores bispos que estão à frente das Dioceses do Nosso país: 1. Não são estes mesmos senhores bispos que levam ao colo os governantes, quando se trata de conseguir subsídios para as suas dioceses? 2. Não são estes mesmos senhores bispos que num rodopio andam atrás dos párocos para que eles lhes entreguem estipêndios de missas, ofertas das pluri-intencionais, ofertórios das missas paróquias e outras ofertas que deviam ser canalizadas para os serviços e património das paróquias? 3. Não são estes mesmos senhores bispos, que nunca prestam contas a ninguém das suas dioceses, dos santuários e outros organismos das Igrejas? 4. Não são estes mesmos senhores bispos, que não sabem o que é transparência, porque nunca entendem que gerem bens do mesmo povo que eles agora se arvoram em defensores contra os políticos ou os governantes? 5. Não são estes mesmos senhores bispos, que engavetam os padres idosos em lares de terceira idade e com isso acham que fizeram o melhor do mundo? (exemplos concretos não faltam). Sacerdotes que trabalharam uma vida inteira a favor da Igreja e agora são votados quase ao abandono em lares de idosos – lares, pelos quais nutro todo o respeito e que ainda são um mal menor para tanta gente que ficaria em muito pior situação se eles não existissem. Porém, não parece ser o ambiente adequado para um padre. Por isso, podemos vê-los na maior das tristezas e completamente derrotados. 6. Não são estes mesmos senhores bispos, que acham que os padres não precisam de uma casa sacerdotal, com um ambiente propício e adequado à condição do sacerdote, para terminar os seus dias neste mundo com toda a dignidade? 7. Não são estes mesmos senhores bispos, que pedem renúncia dos seus cargos aos 75 anos, vão para palacetes que eles constroem com dinheiro do povo e vivem o resto das suas vidas com pensões douradas da Segurança Social e dos fundos das dioceses? 8. Não são estes mesmos senhores bispos, que organizam visitas da Virgem Peregrina às suas dioceses e não prestam contas a ninguém sobre essa actividade? 9. Não são estes senhores bispos…? Podem continuar a fazer perguntas, estas são apenas algumas. Afinal, a sonolência dos bispos, não foi só de agora, é antiga e está presente nas suas acções, consoante as conveniências e os apetites. (Do site O BANQUETE DA PALAVRA - 16/11/2010)

 

ND

Viva, AP! Um Texto atrevido, dirão alguns. Nem tanto, digo eu. Porque não prosseguir com perguntas idênticas, mas, agora, relativamente à maioria dos PÁROCOS das Dioceses? De (quase) tudo o que eles fazem, o que é que se aproveita?! A Caridadezinha? E, até, esta não é HUMILHAÇÃO DOS POBRES e ENGRANDECIMENTO dos Párocos-benfeitores-com-o-dinheiro-dos-contribuintes-e-dos-fiéis? Não são eles, os Párocos, que saem duma missa e vão a correr para outra? Não são eles que presidem àquele rito-sem-um-pingo-de-sentido-e-de-dignidade, o aplicam mentirosamente por 10, 15, 20 ou mais “almas” (Ah! Ah! Ah!) e recebem do familiar de cada “alma” a mesma quantia, que receberiam, se o rito fosse só por uma “alma”? Não são os Párocos, os gestores dos santuários onde estão a maior parte das imagens das “virgens”? Não as ostentam nos altares?! Não aceitam zeladoras a tratar dos Altares e das imagens das “virgens”? Quantos desses párocos é que se atrevem a revelar às populações que as imagens das “virgens” são ainda menos do que as bonecas de trapos com que as menininhas da minha geração brincavam, nos anos 50 e 60?! Haja modos!... O meu abraço, Mário

 

Email. Pe. MV: Juizinho. (Enviada do dispositivo sem fios BlackBerry®)

 

ND

Sim, Padre MV, se eu tivesse “juizinho”, como vós, os párocos e os bispos residenciais tendes, era bem-vindo às vossas Mesas. Assim, sou EXCLUÍDO por Vós que, entretanto, presidis, regularmente aos Altares e dais o CORPO DE CRISTO a Comer. Não o vosso próprio CORPO, obviamente! Ah! E ainda ganhais dinheiro com a VENDA DO CORPO DE CRISTO! Assim procedem os que têm juizinho, não é?! Quando vens por aí e COMPARTILHAMOS a mesma Mesa, num Restaurante de Refeições Económicas, em Felgueiras?! Ou sou demasiado PECADOR PÚBLICO, para tu, O-HOMEM-DO-ALTAR, COMERES COMIGO À MESMA MESA, na companhia de trabalhadores das obras?! Felizmente, não tenho “juizinho”. Como era bom, entretanto, que, apesar de todas as tuas discordâncias, Acolhesses O LIVRO DA SABEDORIA que eu, como sua PARTEIRA, ajudei a vir à luz. Fico abraçado a ti, Mário

 

Email. Reinaldo: Caríssimo Mário. Acredito que : - p/ ti e p/ @s que seguem as tuas interpretações teológicas... - p/ Deus, tod@s @s s/ filh@s são iguais em dignidade... - A NATO é uma organização que pode ser vista de formas diferentes, pelos s/ defensores e/ou detractores.. Mas... NÃO TE PARECE QUE É EXAGERO CONSIDERAR OCUPAÇÃO , A RECENTE CIMEIRA??? Paz e Bem.

 

ND

Oh! meu querido Reinaldo! Por essa, vinda de ti, é que eu não esperava... Então não vês que a NATO, com todos os seus blindados e aqueles aviões como o de Obama, é uma organização do Senhor Dinheiro (ou Deus, ou o Dinheiro, alerta Jesus, esse mesmo a quem os do Dinheiro crucificaram na Cruz inventada por eles!), que dispõe de todos aqueles brinquedos de matar, para manter por toda a sua vida os povos metidos na toca, cheios de Medo? Não vês que as Cimeiras, como a de Lisboa, que OCUPAM militarmente as ruas e os hotéis da capital, cercados por polícias por todos os lados, exibe ostensivamente todos esse brinquedos de matar, mas só para com isso distraírem os Povos, para que eles nunca cheguem a perceber quem é o seu verdadeiro INIMIGO, exactament5e, o SENHOR DINHEIRO, hoje, o único Dono do Planeta? Como os olhos da tua Mente Cordial se abririam, de par em par, se tu, Reinado, Acolhesses, como um menino, e Comesses, como um menino, o Pão Outro que é O LIVRO DA SABEDORIA que, qual PARTEIRA, ajudei a vir à luz!... [e fui pessoalmente apresentar, dia 21, a Lisboa]. Se quiseres, envio-te um exemplar, via ctt, para o endereço postal que me indicares. Os 18 euros que depois, se puderes, PARTILHARÁS, vão integralmente, para o Barracão de Cultura, ainda em construção, aqui, sob a responsabilidade da Associação AS FORMIGAS DE MACIEIRA, uma vez que os 100 exemplares, de que, neste momento disponho [posso sempre adquirir, junto da Editora, novos exemplares, se as encomendas o justificarem], já eu os paguei do meu bolso à Editora, no acto da entrega dos livros. Para que ela, grão de mostarda que é, possa prosseguir na edição de outros livros, de outros autores. O meu abraço e o meu convite a leres, devagar e em voz alta, todo o capítulo 9, do Evangelho de João. Enquanto lês-escutas, põe-te na pele desse “Homem-que-nasce-Cego” e que, graças à intervenção MAIÊUTICA de Jesus, PASSA a ver. Teu, Mário

 

Email. Júlio: Sabiam que o voto em BRANCO é o mais eficiente? Se VOTAREM EM BRANCO, ou seja, se não escreverem absolutamente nada no boletim de voto, é muito mais eficiente do que riscá-lo. Nenhum político fala nisto... porquê? Porque se a maioria da votação for de votos em branco, eles são obrigados a anular as eleições e fazer novas, mas com outras pessoas diferentes nas listas. Imaginem só a bronca! A legislação eleitoral tem esta opção para correr com quem não nos agrada, mas ninguém fala disso. Não risquem os votos, porque serão anulados e não contam para nada. VOTEM EM BRANCO. A maioria de votos em BRANCO anula as eleições... e demonstra que não queremos ESTES políticos!!! Espalhem, para se obter a maioria. Parece que Saramago sempre tinha razão.

 

ND

É bom ver-te entrar no meu correio electrónico, já que ver-te entrar ao vivo em Macieira da Lixa (aproveitarias e entravas também no Barracão de Cultura, ainda por concluir!), parece que está a tornar-se de todo impossível. Já conhecia esta “teoria” do voto em branco e nunca me convenceu. Quem a descobriu na Lei e a espalha na net, esquece-se de que o Poder é que fez essa Lei. Esquece-se também de que é o Poder que está nas urnas de voto. E de que é o Poder que manipula e conta os votos. De modo que, se, por hipótese, os votos em branco fossem bastantes para anular aquele acto eleitoral em concreto (uma impossibilidade absoluta, porque os media que mais formatam a mente das populações também são todos do Poder!), o Poder e os seus agentes, da direita à esquerda, tanto faz – todos eles são o Poder, não são seres humanos e povos, simplesmente! – encarregar-se-iam de riscar, na hora da contagem, os boletins de voto em branco que fossem precisos, para que aquele acto eleitoral em concreto fosse institucionalmente válido. E, podes ter a certeza, logo depois, o mesmo Poder que fez essa Lei ainda em vigor, e que diz o que diz sobre os votos em branco, a substituiria de imediato por outra. Ou, simplesmente, acabaria com os Actos Eleitorais!!! Mas ainda tens dúvidas?! Quanto a Saramago ter razão, não te esqueças que Saramago só foi Nobel da Literatura 1998, porque, no entender, dos membros da Academia que o premiaram com aquele cheque de muitos milhões de euros, ele era, naquele ano, o mais Cego ilustrado dos Cegos ilustrados de quantas, quantos escrevem em português! Ou já esqueceste (eu sei que não, mas às vezes distraímo-nos!) que, como nos diz com oportunidade o Evangelho de João (capítulo 3), a Luz /Lucidez quando Acontece na História, logo os dos três Poderes, como um só, unem-se contra ela, ODEIAM-NA /OSTRACIZAM-NA e, se ela, mesmo assim, tem quem a acolha e pratique, então, CRUCIFICAM-NA em dois-três dias! Como fizeram /fazem a Jesus, o Maldito dos malditos! Nunca, Júlio, a Luz /Lucidez poderá alguma vez ser Prémio Nobel! Enquanto houver os três Poderes, eles, que são a Treva Institucional, sempre premiarão os Cegos Ilustrados e os Agentes de Cegueira, como o Saramago. Porque, embora intelectuais, são todos intelectuais não-orgânicos, como o plagiador Saramago, no seu tempo de visibilidade histórica, foi, é. Permite-me uma confidência de menino: Se Comeres diariamente o Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação (Areias Vivas, Outubro 2009) e O LIVRO DA SABEDORIA (Edium Editores, Outubro 2010), é com este PÃO OUTRO que te alimentarás. E, então, como TUDO em NÓS MUDA, Júlio! Até MUDAMOS de SER. E de DEUS! Com Ternura. E muita Emoção, por teres entrado no meu correio electrónico. Mário

 



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