Diário
Um olhar sobre a Igreja e a sociedade feito de humor e amor

13 Junho 2001

Dizem as pessoas que hoje é o dia de Santo António, o primeiro do três santos populares, cujas festas caem todas no mês de Junho. A maior de todas é a festa de S. João, o Baptista. A de Santo António é como que a preparação da de S. João. E a de S. Pedro, em 29 de Junho, tem já sabor a despedida.
A Igreja católica está com as três festas. Ao contrário das outras Igrejas, do ramo protestante, a Igreja católica gosta muito de imagens de santos e de santas, sobretudo, populares. Que movimentam em seu redor, multidões de pessoas ainda muito pouco ilustradas e nada evangelizadas. Por isso, de consciência com muito mais de ingénuo do que de crítico.
A Igreja católica não perde nenhuma destas festas. E como não havia de gostar dos santos e das santas populares, se ela está por trás de todas as suas festas, a aproveitar-se do que elas têm de mais lucrativo e de oportunidade para o seu clero tentar injectar nas populações, espontaneamente concentradas nos recintos das festas, a sua visão moralista do mundo?
O que as pessoas hoje não sabem – a ignorância é a mãe de todas as alienações populares, juntamente com a mentira que os eclesiásticos e outros graúdos dirigentes do mundo fazem passar por verdade - é que na origem de cada festa popular, também destas três do mês de Junho, não está nenhum santo, nenhuma santa.
As festas populares existem muito antes dos santos e das santas, que hoje lhes andam associados, terem nascido. Muito antes do próprio Cristianismo ter surgido, como via alternativa ao judaísmo e a todas as religiões monoteístas e politeístas.
As festas populares são todas de origem pagã. Remontam ao tempo em que os povos, no Ocidente, viviam sob o jugo das religiões politeístas e prestavam cultos públicos às imagens das deusas e aos deuses, em redor dos seus santuários mais ou menos sumptuosos e luxuosos.
O mês de Junho é o mês do Sol. Tal como o mês de Dezembro. Mas em pólos opostos. Em Dezembro, os povos antigos pensavam que o Sol morria e voltava a nascer. A festa de Natal, em 25 de Dezembro é, originalmente, a festa de natal do deus Sol. No mês de Junho, o Sol alcança o seu ponto de maior pujança, o seu clímax. Os povos experimentam-no mais perto deles e, na sua satisfação colectiva, saltam para as ruas a festejar a idade adulta do deus Sol, a sua maturidade, o seu vigor, a sua força de calor. A sua invencibilidade. Fazem-no no ao nascer do dia 24 (os dias, para os antigos, começavam logo após o pôr-do-sol, e não à meia-noite), três dias depois – ao terceiro dia! – do começo do Verão, o dia 21, o maior do ano.
As coisas já eram assim, antes do Cristianismo. Já eram assim, quando Jesus de Nazaré nasceu. Já eram assim, quando as comunidades cristãs primitivas surgiram, anos depois da morte/ressurreição de Jesus. E as comunidades cristãs não se preocupavam demasiado com isso.
É certo que, no início do Cristianismo, há uma luta contra a idolatria. Mas não contra as festas populares propriamente ditas. O Cristianismo preocupa-se com a libertação integral das pessoas. Como tal, aflige-se com a idolatria que faz das pessoas escravas dos deuses e das deusas. Sobretudo, faz das pessoas escravas dos sacerdotes que estão por trás dos cultos idolátricos. E dos poderosos, reis e imperadores, que eram apresentados às populações como incarnações dos deuses mais famosos. Aos quais, por isso, eram devidos cultos públicos. E obediência.
O Cristianismo é, neste particular e na sua origem, o maior movimento de Ilustração da História da Humanidade, que ela jamais conheceu ou conhecerá. A maior Revolução das mentalidades e das consciências.
Em Jesus de Nazaré, a Humanidade deu-se conta, de forma inequívoca e irreversível, de que os deuses e as deusas não existem. São pura criação e projecção dos humanos mais ou menos fragilizados.
Em palavras mítico-cristãs, as comunidades cristãs dizem, na peugada de Jesus de Nazaré, o Cristo, que os deuses e as deusas são demónios. Por isso, não só inferiores aos humanos, mas piores do que os humanos. Dos quais os humanos têm de fugir, sob pena de caírem na escravidão e permanecerem nela toda a vida. Uma escravidão, porventura, muito piedosa, com muitas devoções e muitos actos de culto, mas escravidão.
Aliás, o que é a religião senão o medo dos deuses/demónios? O que são os ritos de culto senão meios mais ou menos toscos de tentar convencer os deuses/demónios, que nem sequer existem, a serem favoráveis às populações que ciclicamente os realizam nos respectivos santuários?
Aliás, os profetas bíblicos, oito/sete séculos antes de Jesus de Nazaré, já haviam dito que os ídolos que as pessoas adoravam nos templos e/ou em lugares altos, assim como os próprios templos, são obra das nossas mãos. Por isso, inferiores aos humanos.
Se os humanos se prostram diante dos ídolos e frequentam os templos, como casas dos deuses e das deusas, cometem uma indignidade contra si próprios. Porque os humanos são sempre superiores aos deuses e às deusas que criaram. E casas, os humanos não devem frequentar outras que não sejam as suas próprias e as dos outros seres humanos.
É uma indignidade sem nome, para o Cristianismo e para a Fé cristã que o suscita, construir templos, santuários, basílicas, igrejas, capelas, para albergar imagens de deuses e de deusas – Fátima, pelos vistos, prepara-se para acrescentar mais uma indignidade destas ao rol de tantas outras que tem cometido, desde 1917 para cá - e deixar sem casa uma só pessoa humana que seja, ou uma só família que seja. Mas são milhares, milhões, de pessoas humanas e de famílias empobrecidas que, ainda hoje, neste início do século XXI, permanecem condenadas a ter de viver sem casa. E muitas outras que vivem em casas que são a nossa vergonha, porque não têm o mínimo de condições para nelas se poder viver. Enquanto as imagens mortas das míticas deuses e dos míticos deuses dispõem de requintados e luxuosos santuários!...
Mas Jesus de Nazaré vai mais longe do que os profetas bíblicos que o precederam. Experimenta Deus como o Espírito, como o Sopro totalmente outro, que misteriosamente o habita, e nos habita, mesmo aos que, mulheres e homens, se têm na conta de ateus e de agnósticos. Por pura Graça.
Jesus experimenta Deus como misteriosa e activa Presença que só se dá bem com adoradoras e adoradores que o são em espírito e verdade, portanto, bem longe dos templos e dos lugares altos, enquanto espaços tradicionalmente reservados aos deuses e às deusas.
Jesus experimenta Deus como Presença que habita o mais íntimo de cada ser humano. O que faz com que cada ser humano seja templo vivo de Deus, morada de Deus vivo, o espaço sagrado por excelência.
As primeiras comunidades cristãs avançam por esta mesma via de Jesus de Nazaré. Fazem-na sua. Por isso, desconhecem os templos, como locais de culto. Desconhecem o culto, como tal. Assumem-se como via de libertação integral. Não como via religiosa. São via de comunhão real e de encontro mútuo, de real partilha do Pão, numa Mesa compartilhada. Não são via de cerimónias rituais e individualistas, onde tudo é faz-de-conta, rotina, e cada uma/cada um para si.
As comunidades cristãs primitivas bem viam os templos das deusas e dos deuses repletos de pessoas. Presenciavam as peregrinações que movimentavam milhares e milhares de pessoas, oriundas de todo o lado. Conheciam os sacerdotes que presidiam aos cultos nos santuários. Mas não iam por aí. Tão pouco combatiam essas manifestações de massas.
Constituíam-se simplesmente como alternativa lúcida, ilustrada, própria de pessoas já evangelizadas, a toda essa alienação humana. Davam testemunho. Eram testemunhas vivas de um outro jeito de ser humano, duma outra arte de viver como seres humanos. Eram até perseguidas, por se distinguirem, por não alinharem.
Eram consideradas e tratadas como comunidades ateias, porque não se lhes conhecia nenhum culto, nenhum deus, nenhum templo. Nem tinham sacerdotes. Os seus membros, mulheres e homens, encontravam-se uns com os outros nas respectivas casas. Partilhavam a Palavra e o Pão. Numa alegria que tinha todo o sabor da liberdade. E da dignidade.
Ao mesmo tempo, eram activos resistentes aos cultos dos deuses e das deusas, e às culturas que deles brotavam e os justificavam, culturas essas que levavam as pessoas a viver submissas aos poderes que se organizavam e constituíam sobre elas, como poderes absolutos, divinos, incontestados.
Eram comunidades sororais e fraternas. Sem discriminação de qualquer espécie. Nem mesmo de género. As mulheres eram iguais aos homens. E se o encontro de alguma dessas comunidades acontecia na casa duma mulher, era ela quem, naturalmente, presidia ao Partir da Palavra e do Pão. Com simplicidade. Fazia-o, tal como o homem em cuja casa reunia a comunidade, como quem se dá. Não como quem se impõe. Como quem se entrega. Não como quem manda. Como quem serve. Não como quem domina.
Tudo, porém, se alterou, quando, no início do século IV, o Cristianismo passou da condição de comunidade de comunidades cristãs perseguidas a religião oficial do Império romano. E, sobretudo, quando, alguns anos depois, com a proibição e a repressão dos cultos politeístas, o Cristianismo ocupou o seu lugar, deixado vago à força. Na sua sanha iconoclasta, destruiu imagens de deuses e de deusas. Destruiu templos. Perseguiu e excluiu sacerdotes que presidiam a esses cultos.
As populações viram-se, então, privadas das suas festas. Tiveram de ser cristãs à força. Por isso, sem convicção. Tal como ainda hoje sucede. São populações católicas por nascimento. Por pressão familiar. Por pressão cultural dominante. Não por convicção, por livre opção.
Mas como não há repressão que sempre dure e seja cem por cento eficaz, as populações do Império romano, às escondidas, lá continuavam com os seus cultos.
Foi então que os chefes da nova religião do Império decidiram regressar à situação anterior, apenas com uma alteração meramente acidental. Lá, onde estava o nome de uma deusa ou de um deus, colocou-se o nome de um santo ou duma santa. Ou mesmo o nome de Jesus e o nome de Maria, sua mãe carnal. As festas continuavam pagãs. As imagens eram as mesmas. Os cultos eram politeístas e decorriam nos mesmos locais, às vezes, até presididos pelos mesmos sacerdotes que haviam sido temporariamente afastados. Só os nomes é que eram outros, eram nomes cristãos.
Foi assim que, por exemplo, o natal do deus Sol, em 25 de Dezembro, passou, sem mais aquelas, a ser o natal de Jesus! Até aos nossos dias. E as grandes festas populares em honra da imagem da grande deusa virgem e mãe, passaram a ser, mentirosamente, festas em honra de Maria, a mãe de Jesus, estupidamente chamada Nossa Senhora!
Igualmente, quando hoje, no mês de Junho, o mês do Sol na sua plena força, as populações se juntam, nas festas populares, pensam e dizem que estão a festejar os santos populares, Santo António, S. João e S. Pedro. Não estão. Elas estão a celebrar as velhas festas pagãs politeístas, anteriores ao Cristianismo. Mas agora baptizadas com os nomes destes três supostos santos (no Cristianismo mais autêntico, o de Jesus de Nazaré Crucificado/Ressuscitado, nem sequer há santos e santas, porque um só é santo: - Deus!).
A Igreja católica, continuadora da religião oficial do Império romano, de raiz politeísta e pagã, está por trás destas festas populares, desde que elas deixaram de ser oficialmente politeístas e pagãs e passaram a ser cristãs à força. Desde então, a Igreja católica, através dos seus clérigos, sempre fez tudo para as controlar. Mas em vão.
Tempos houve, de muita repressão católica, quando os Estados ou os Reinos estavam sob a tutela do Papado e dos bispos do lugar, em que as festas populares chegaram a ser quase totalmente controladas pelo clero, então rei e senhor sobre as populações analfabetas, reduzidas à triste condição de servos da gleba e de animais de carga, em lugar de promovidas à condição de pessoas humanas com dignidade.
Hoje, felizmente, as coisas não são mais assim. Com a Revolução Francesa e o aparecimento dos Estados laicos e seculares, e com a perda de influência, cada vez mais acentuada, do clero católico, as festas populares voltam a recuperar a sua antiga vitalidade pagã e politeísta. Com os seus excessos, sempre compreensíveis e até bem-vindos.
Tais festas são momentos com sabor a eternidade. Em que os poderes como que desaparecem e as pessoas ficam entregues a si mesmas. São finalmente elas próprias. Livres. Quase em estado de inocência. Onde não há lugar para crimes e violências de morte. São festas quase em estado puro. Já sem deuses e sem deusas. Sem os míticos deuses e deusas do politeísmo. E sem os históricos deuses que vestem as roupas do Poder de turno sobre os povos.
Os próprios santos católicos que, oficialmente, ainda as patrocinam, não são mais os santos que os eclesiásticos e os clérigos fabricaram. São santos humanos, em tudo iguais aos demais humanos. Folgazões. Namoradeiros. Casamenteiros. Que gostam de tudo o que os humanos sem repressões gostam. São santos sem templos e sem altares. Sem cultos rígidos e estéreis. Sem sacrifícios. Sem cilícios. Sem penitências. Sem jejuns forçados. São santos com corpo. E sexo. Que comem bem e bebem melhor. Como de Jesus se diz, no Evangelho, que comia e bebia. São santos de vida plena e realizada. Não de vida diminuída e abortada. São santos nos antípodas daqueles que os eclesiásticos e clérigos fabricaram, engendraram e, ainda hoje, tentam fazer passar como modelos para todos os humanos. Mas que mais não são do que seres falhados, humilhados, macerados, reprimidos, castigados, por isso, com mais de diabo do que de humano.
Felizmente, as populações de hoje nascem e crescem cada vez mais longe da influência do clero católico, por sinal, uma espécie em vias de extinção, e longe dos templos onde eles ainda pontificam (como há poucos clérigos, cada um deles é obrigado a pontificar em vários templos, o que é igual a não pontificar verdadeiramente em nenhum). São populações cada vez mais seculares, cada vez menos eclesiásticas, cada vez menos católicas, no sentido pejorativo que o termo hoje já tem. São populações cada vez mais autónomas e que estão a aprender a conduzir-se pela própria consciência.
Só é pena que essa consciência não seja já bastante ilustrada, esclarecida, evangelizada. Porque, assim, pode ser, facilmente, manipulada por outros clérigos, quer de novas religiões com falsas promessas de salvação e de cura para todos os males, quer de multinacionais, nomeadamente, dos "media", que arrastam as populações para estilos de viver, que estão longe de ser verdadeiramente humanos, mais consumidores do que criadores, longe por isso da dignidade das pessoas humanas que somos.
Não pensem, contudo, que me lamento. Entendo que, apesar de tudo, é melhor a situação que hoje vivemos, do que a anterior, quando tudo estava sob o férreo controlo do clero católico. É que este invadia até a consciência das pessoas e controlava-as, desde aí. De modo que as populações nasciam, cresciam e morriam, sem, em momento algum, chegarem a ser elas próprias. Não tinham voz, nem vez. Só conheciam a dimensão de súbditas. Num universo de (falsos) valores, em que a obediência ao clero era a maior virtude, a privação de tudo era o caminho mais directo para a realização humana, e a salvação eterna da alma, após a morte, a aspiração maior.
Não deixa, por isso, de ser estranho o que, nos últimos anos, acontece no nosso país, neste mesmo mês de Junho, das festas populares, e que está em completa contradição com elas. Refiro-me à peregrinação nacional das crianças a Fátima. Ocorre em 10 de Junho, feriado nacional, dia de Portugal.
Este ano, terão ido lá umas 30 mil crianças, segundo estimativas mais favoráveis. A maior parte, do Norte do país, onde o clero católico continua a dispor de relativa influência.
Trata-se duma operação com tudo de perverso, embora seja oficialmente apresentada como uma iniciativa louvável, pedagogicamente exemplar. Não é. É uma perversidade. Totalmente à revelia das festas populares deste mês de Junho.
Nesta iniciativa, está tudo mal. A começar pelo local escolhido. Fátima, como tenho dito e repetido, sem que ninguém versado em teologia cristã me possa desmentir, é o local mais perverso de Portugal. Onde o nome de Deus é invocado, não só em vão, mas como canonizador de práticas absurdas de desumanidade, as mais cruéis. E que fazem dEle o pior dos vampiros, que se agrada com o sangue dos humanos e o sofrimento de inocentes. Nomeadamente, das crianças.
Não sei como é que as mães e os pais portugueses, mesmo católicos, consentem que as suas filhas e os seus filhos crianças sejam aliciados a ir a Fátima, prestar culto à imagem da senhora ou deusa lá do sítio. Como consentem que o clero manipule as suas filhas e os seus filhos. E lhes metam na consciência disparastes de todo o tamanho, como esses de um Deus que gosta do sofrimento de inocentes e que, para nos conceder a paz, exige que as crianças se sacrifiquem, passem privações, recitem fórmulas decoradas de orações sem conteúdos à altura da nossa dignidade de seres humanos, chamados à responsabilidade e à liberdade de conduzirmos o mundo e a História.
Aliás, já foi este crime de lesa-crianças que o clero de 1917 fez às três "videntes" da paróquia de Fátima, directamente, envolvidas na montagem das aparições. E o resultado é o que se sabe. Duas delas, Jacinta e Francisco, morreram, pouco tempo depois – nem a senhora de Fátima lhes valeu! - num mar de sofrimento intolerável. E a prima de ambos, Lúcia, nunca mais soube o que é a liberdade pessoal e o viver longe da nefasta influência do clero!
É preciso, por isso, alertar as mães e os pais do país, para o perigo que correm as suas filhas e os seus filhos, nomeadamente, crianças, quando consentem em entregar umas e outros às catequeses paroquiais, das quais faz parte, a peregrinação anual a Fátima, no mês de Junho. As mães e os pais, mesmo católicos, não podem confiar em catequeses destas. As doutrinas que elas ensinam, se passam por Fátima e pela sua senhora cega, surda e muda, são doutrinas perversas, diabólicas, feitas de mentira, que marcam negativamente e para toda a vida, as suas filhas e os seus filhos.
É preciso que se diga sem rodeios: Fátima é a perversão do Cristianismo. É a destruição da Fé cristã. É a indignidade humana em acção. O tétrico Museu de cera, com as suas figuras fantasmagóricas e com a estúpida visão do inferno, é, de resto, o melhor símbolo do que acabo de dizer.
Fujam de Fátima. Fujam da imagem da senhora ou deusa de Fátima. Fujam da chamada capelinha das aparições. Das suas bocas-cofre, sorvedoiro do dinheiro que faz falta ao desenvolvimento das vossas filhas e dos vossos filhos. Fujam do sacerdote-mor da deusa ou senhora de Fátima, o bispo de Leiria-Fátima. Não se deixem levar pelos seus discursos. Aquilo é tudo mentira, apresentado em tom melífluo de falsa santidade e de falsa virtude.
Se vós, mães e pais de Portugal, continuardes a consentir que as vossas filhas e os vossos filhos, crianças, integrem estas peregrinações anuais a Fátima, sois responsáveis pelos traumas e pelos pesadelos que elas e eles possam vir a sofrer, já, e pela vida fora.
É bem melhor que avanceis com as vossas filhas e os vossos filhos crianças, para as festas populares deste mês de Junho. Estas festas são momentos de liberdade, de comunhão, de fraternidade/sororidade, de dignidade, de protagonismo das populações. São o contrário do que se faz em Fátima. Onde tudo é triste, pesado, macilento, beato, repugnante, de vómitos.
Alerta, pois, mães e pais de Portugal. Em Junho, ide com as vossas filhas e os vossos filhos crianças às festas populares. Da peregrinação a Fátima, fugi a sete pés. E, se quiserdes que as vossas filhas e os vossos filhos saibam quem foi Maria, a mãe de Jesus, e quem foi Jesus de Nazaré, o Cristo, vós próprios, mães e pais de Portugal, procurai estar à altura de lhes dizer/testemunhar, com a vossa palavra e com a vossa vida.
Nem é complicado assim. Basta que sejais mães e pais como Maria foi, e que as vossas filhas e os vossos filhos sejam crianças como Jesus, a crescer em idade, em estatura, em sabedoria e em graça. O mesmo é dizer, a crescer para, quando mulheres e homens feitos, se entregarem, gratuita e lucidamente, aos demais. De modo que todas as mulheres e todos os homens, independentemente, da cor da pele e da nacionalidade, sejamos reconhecidos e tratados como pessoas humanas, constituídos em dignidade e em comunhão.

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