Diário
Um olhar sobre a Igreja e a sociedade feito de humor e amor

8 Janeiro 2001

Hoje é dia grande para a SIC, a estação de televisão privada que, quando nasceu, há anos atrás, veio revolucionar o mundo da comunicação social em Portugal. Gostaria que este fosse também dia grande para toda a sociedade portuguesa. Porque o nascimento do novo canal televisivo, SIC Notícias, propõe-se prosseguir a revolução iniciada com a SIC. E de revolução é que a nossa sociedade carece. Porque a revolução, quando é real e ousa ir à raiz das coisas, sobretudo, quando ousa mexer nos interesses instalados e criar condições para que os seres humanos sejam cada vez mais conscientes e autónomos, tem sempre a assinatura do Espírito de Deus, a Revolução sem fim e sem controlo.
SIC notícias pretende ser uma espécie de CNN em português. Com notícias 24 horas sobre 24. Mas é aqui que levanto algumas reservas. Porque nós não vivemos só de notícias. Nem só para ouvir/ver notícias. Do que precisamos é de notícias para viver. De notícias, com tempo para serem assimiladas, digeridas, convertidas em vida, em tomadas de posição, em posturas outras, cada vez mais solidárias e fraternas/sororais.
A não ser assim, corremos o risco de perigosíssimas overdoses de notícias que nos anestesiam e tornam insensíveis e indiferentes. E não há pior monstruosidade do que um ser humano, mulher ou homem, insensível e indiferente. É o protótipo do anti-ser humano, com mais de robot do que de humano. Inferior às próprias plantas e aos animais.
Eu sei que esta é a era da comunicação. Deveria ser também e por isso a era da comunhão. E bem sabemos que ainda não é. Certamente, também por culpa da própria comunicação. Que não tem sabido nem tem sido capaz de gerar comunhão. Quando o deveria fazer. De resto, se não é para gerar mais e mais comunhão entre os seres humanos e os povos, então para que serve a comunicação?
Daí o meu alerta, que pode ser também uma boa questão para debater entre todas e todos nós, que, porventura, abrimos esta página: Enquanto a comunicação for monopólio das grandes multinacionais da dita, é certo e sabido que, em vez de gerar comunhão entre os seres humanos e os povos, gerará mais e mais paralisia, esmagamento, impotência. Os grandes poderes do mundo sabem que é assim. E, por isso, estão em todas para ter nas suas mãos todos os grandes "media". Com eles nos matam. Porque a comunicação, quando não gera mais e mais comunhão entre os seres humanos e os povos, funciona como balas que matam, ou, pelo menos, paralisam e anestesiam quem a recebe. Mais parece um bombardeamento contínuo sobre as pessoas e os povos.
Só uma comunicação que desperta e promove uma maior consciencialização nas pessoas e nos povos que a recebem é que é capaz também de gerar movimentaçõese levantamentos, verdadeiras insurreições/ressurreições das pessoas e dos povos. Mas para tanto, são necessários "media" alternativos, ou, pelo menos, profissionais de comunicação com espírito e alma de profeta, que se infiltrem nos grandes "media" e, quais cavalos de Tróia, os façam explodir por dentro. Virem o feitiço contra o feiticeiro.
Não sabemos ainda como é que a SIC notícias vai comportar-se neste nosso mundo de fala portuguesa. Para já, sabemos que faz parte de um monopólio e que tem grandes interesses financeiros em vista. Cabe, por isso, a quem nela já trabalha e vier a trabalhar, ousar tirar partido dela, em prol das pessoas e dos povos, mesmo contra a vontade dos respectivos donos.
Esta é a minha esperança. Sempre será possível que pequenos "David" se infiltrem nos "acampamentos" dos gigantes "Golias" e os vençam. Com a "funda" da palavra, carregada de força profética e, por isso, mobilizadora das pessoas e dos povos que os grandes monopólios pretendem ver anestesiados e paralisados, mais mortos do que vivos.
Na esperança de que isto venha a suceder, também na SIC Notícias, aqui deixo as minhas palmas à nova estação. E a quem lá trabalha.

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